Negociação está em novo cenário e Trump orientou a favor de buscar acordo, diz ministro

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Por Marcos Hermanson e Isabella Menon

(Folhapress) – O Brasil e os Estados Unidos não saíram da reunião desta segunda-feira (31) com avanço em pontos concretos, mas concordaram que a negociação está em um “novo cenário”, e o presidente Donald Trump orientou os representantes da Casa Branca a buscar um acordo com o governo Lula (PT), afirmou o ministro Márcio Elias Rosa (Indústria).

“Há um compromisso político que foi reiterado de fazer um acordo e há o reconhecimento de que estamos diante de um novo cenário”, afirmou o ministro em entrevista a jornalistas após a reunião. Ele participou de encontro com o representante de Comércio dos Estados Unidos nesta segunda ao lado do ministro Mauro Vieira (Itamaraty).

Segundo o ministro, a mudança de postura decorre da imposição das novas tarifas americanas contra produtos brasileiros.

Até julho, afirmou, as conversas partiam da tentativa de evitar a adoção das sobretaxas. Agora, com as medidas em vigor, o Brasil argumenta que a relação tarifária passou a ser desequilibrada em favor dos Estados Unidos.

“Hoje a verdade é que, com a aplicação dos 37,5%, nós temos um desequilíbrio ainda maior em favor deles. Qualquer concessão da parte do Brasil só aumentará o déficit para o Brasil”, disse.

O ministro afirmou que a reunião desta segunda teve como principal resultado a retomada formal das negociações, sem que fossem discutidas propostas específicas, setores ou eventuais concessões de cada lado.

Equipes técnicas dos dois países devem voltar a se reunir nos próximos dias, e novos encontros, virtuais e presenciais, estão previstos para as próximas semanas.

“Hoje, a boa notícia é: retomamos o diálogo para uma negociação. Isso é muito importante”, afirmou.
Rosa atribuiu a retomada à conversa por telefone entre Lula e Trump. Segundo ele relatou, Greer afirmou ter acompanhado a ligação e disse que recebeu de Trump a orientação de trabalhar por um entendimento com o Brasil.

“O presidente Trump orientou e ordenou que dialogássemos para um acordo”, afirmou o ministro. “A partir do telefonema do presidente Lula, eles estão de novo na mesa de negociação.”

Rosa ressaltou que o retorno dos americanos ocorreu sem que o Brasil tivesse apresentado uma nova concessão. Segundo ele, Brasília havia permanecido disposta a negociar mesmo depois da interrupção das conversas em julho.

“Algo precisava acontecer para que eles retornassem à mesa sem que fosse uma concessão da parte do Brasil. E é isso que aconteceu. Sem que nós tenhamos oferecido algo, eles voltaram para a negociação”, disse.

Apesar da retomada, o ministro afirmou que o governo brasileiro voltou a contestar os argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar as tarifas. Entre os pontos levantados na reunião estiveram o Pix e as críticas americanas à política ambiental brasileira, temas incluídos na investigação conduzida pelos EUA sob a Seção 301.

Rosa afirmou que o funcionamento do Pix não será objeto de negociação. “O Pix é um patrimônio do Brasil, mais de 80% dos brasileiros utilizam, e não há possibilidade de negociarmos o funcionamento do Pix”, disse.

O governo brasileiro também apresentou dados sobre a redução do desmatamento e voltou a defender que questões sem caráter econômico ou comercial sejam retiradas das discussões.
“Nada do que possa causar dano aos interesses econômicos do país, aos interesses do Brasil, nós vamos negociar, vamos colocar na mesa”, afirmou o ministro.

Questionado se uma negociação poderia resultar na retirada das tarifas atualmente impostas pelos Estados Unidos, o ministro disse que isso dependerá das próximas rodadas. “Até onde vai a concessão da parte deles e até onde vai a concessão da parte do Brasil, o tempo dirá, as conversas, as rodadas dirão”, afirmou.





ICL Notícias

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