Coordenador de Flávio Bolsonaro defendeu aumento de 23% no preço do botijão de gás

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Por Cleber Lourenço

O economista Adriano Pires, coordenador da área de energia da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defendeu uma política que elevaria em aproximadamente 23% o preço do botijão de gás de cozinha para consumidores não atendidos por benefícios sociais. Em artigo publicado em outubro de 2018, Pires propôs retirar o subsídio generalizado do produto e permitir que os preços fossem definidos pelo mercado, mesmo reconhecendo que a mudança encareceria um item essencial para as famílias brasileiras.

Na época, o botijão de 13 quilos custava aproximadamente R$ 65. Pelos cálculos apresentados pelo próprio economista, a retirada do subsídio elevaria o preço para R$ 80, um aumento de R$ 15. Corrigidos pela inflação até setembro de 2026, esses valores equivaleriam a aproximadamente R$ 98 e R$ 121, respectivamente.

A proposta aparece em um artigo intitulado Robin Hood às avessas: vale gás como proposta para presidenciáveis, publicado em 4 de outubro de 2018. Nele, Pires apresentou o encarecimento do produto como parte de uma reformulação da política de subsídios.

“Hoje o preço do gás de cozinha está em torno de R$ 65. Se fosse retirado o subsídio, o preço iria para algo como R$ 80”, escreveu.

O economista argumentou que manter o gás mais barato para toda a população era um erro, porque o desconto também beneficiava famílias de maior poder aquisitivo. Sua proposta era concentrar os recursos públicos em um vale-gás destinado exclusivamente aos consumidores mais pobres.

O benefício alcançaria 8,7 milhões de famílias cadastradas na tarifa social de energia elétrica, que passariam a pagar R$ 40 pelo botijão. Os demais consumidores teriam de arcar com o preço integral de R$ 80.

“Quando somente 8,7 milhões de famílias pagarem R$ 40 pelo botijão e o restante das famílias R$ 80, aí vai aparecer o dinheiro para o subsídio direcionado”, argumentou Pires.

Pelos cálculos apresentados no artigo, aproximadamente 35 milhões de brasileiros seriam contemplados pela assistência. O benefício seria concedido a cada 45 dias, período considerado pelo economista como o tempo médio de consumo de um botijão.

Para quem ficasse fora do programa, entretanto, não haveria qualquer mecanismo de proteção contra os aumentos de preço previstos no modelo.

“O preço do botijão será determinado pelo mercado, sofrendo todas as pressões, inclusive as do mercado internacional, da taxa de câmbio”, escreveu.

Isso significaria que as oscilações do dólar e das cotações internacionais poderiam ser repassadas aos consumidores, sem a manutenção do desconto generalizado então praticado.

Pires também deixou claro que não pretendia utilizar recursos da Petrobras para financiar o benefício. O objetivo, segundo ele, era preservar os interesses dos acionistas da estatal.

“Com isso, estaremos respeitando os direitos dos acionistas da empresa”, afirmou.

Autor da proposta pode assumir área estratégica em eventual governo

O posicionamento ganha relevância porque Adriano Pires passou a ocupar uma função estratégica na candidatura de Flávio Bolsonaro. O economista coordena a elaboração das propostas para o setor energético e atua na interlocução da campanha com representantes do mercado.

Ele também é cotado para assumir o Ministério de Minas e Energia ou a presidência da Petrobras em um eventual governo do senador.

Sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e ex-superintendente-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Pires tem defendido historicamente maior liberdade na formação dos preços dos combustíveis.

Em agosto de 2026, já na condição de coordenador da campanha, afirmou que a possibilidade de capitalização da Petrobras deveria ser discutida. A medida poderia abrir espaço para mudanças na estrutura de controle da estatal, embora não estivesse prevista no programa eleitoral de Flávio.

A defesa de uma política de preços orientada pelo mercado também apareceu em outros posicionamentos do economista. Em 2019, durante o governo Jair Bolsonaro, Pires apoiou o fim da diferenciação de preços do gás de cozinha residencial praticada pela Petrobras.

Mais recentemente, em 2025, voltou a criticar a manutenção de preços abaixo das referências de mercado, sustentando que a prática prejudicava a Petrobras e que a assistência às famílias pobres deveria ocorrer por meio de subsídios direcionados.

A discussão ocorre em um momento em que o governo Lula mantém o Gás do Povo, programa que garante a recarga gratuita de botijões para famílias de baixa renda e que alcançou aproximadamente 15 milhões de famílias em 2026.





ICL Notícias

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