O ex-banqueiro Daniel Vorcaro assinou nesta quinta-feira (19) um acordo de confidencialidade com as autoridades responsáveis pela apuração de supostas fraudes envolvendo o Banco Master. O documento representa a primeira etapa formal para o início das negociações de um possível acordo de colaboração premiada.
O termo foi firmado entre o empresário, sua equipe de defesa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal. A assinatura permite que as partes iniciem conversas preliminares para avaliar a viabilidade da delação.
Nesta quinta-feira, Vorcaro também foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde poderá participar das reuniões relacionadas ao acordo. A transferência ocorreu por helicóptero e seguiu protocolos de segurança para evitar riscos durante o deslocamento.
A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que investiga irregularidades ligadas à instituição financeira. A defesa havia solicitado a transferência para garantir conversas reservadas entre o investigado e seus advogados, sem gravação, o que não é permitido no regime da penitenciária federal.
No sistema penitenciário federal, o contato com a defesa ocorre por meio de parlatório, com separação por vidro e registro de áudio e vídeo. Com a nova autorização, Vorcaro poderá discutir os fatos investigados de forma mais ampla com seus advogados antes de apresentar eventuais informações às autoridades.
O procedimento de colaboração segue etapas. Inicialmente, investigado e defesa organizam os relatos e documentos. Em seguida, o material é apresentado aos investigadores, que analisam se as informações têm consistência e se existem provas capazes de confirmar o que foi relatado. Somente após essa verificação é que podem ser realizados depoimentos formais.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. A Polícia Federal suspeita que ele pretendia deixar o país, enquanto a defesa afirma que a viagem tinha como objetivo buscar investidores interessados na compra do Banco Master.
Situação de Vorcaro
A transferência de Daniel Vorcaro ocorre em um contexto mais complexo do que a simples abertura de negociação para delação premiada. Apuração do ICL Notícias indica que o movimento foi solicitado pela defesa apenas nos últimos dias, após o advogado José Luis Oliveira Lima, o “Juca”, assumir protagonismo no caso e se inteirar dos autos.
Apesar da mudança de local de custódia, não há, até o momento, uma proposta concreta de colaboração formalizada. Interlocutores com acesso às tratativas afirmam que a negociação está em estágio “bem preliminar” e que nem a Polícia Federal nem a Procuradoria-Geral da República têm conhecimento sobre o conteúdo que eventualmente seria apresentado por Vorcaro, que deverá elaborar sua proposta e o conteúdo da delação nos próximos dias.
Na prática, a defesa ainda trabalha na construção do que pretende levar às autoridades. Não há definição sobre fatos, nomes ou linhas narrativas que possam embasar um acordo. O que existe, neste momento, é uma tentativa de calibrar o valor de uma possível colaboração.
A transferência para Brasília, nesse cenário, cumpre uma função operacional: aproximar o investigado de delegados e procuradores, facilitar reuniões e permitir a estruturação de uma eventual proposta. Mais do que sinalizar um acordo iminente, o movimento indica a abertura de um canal de negociação.
*Com informações de Cleber Lourenço



