Trump autoriza CIA a conduzir ações letais na Venezuela contra governo Maduro — Brasil de Fato

8
69


O governo estadunidense de Donald Trump autorizou secretamente a CIA a realizar ações secretas na Venezuela, aumentando a retórica bélica contra o país sul-americano. A informação havia sido antecipada pelo jornal The New York Times e foi confirmada pelo presidente dos Estados Unidos nesta quarta-feira (15), segundo o portal G1. Na prática, a medida significa “permissão para matar” na Venezuela, inclusive integrantes do alto escalão do governo de Nicolás Maduro.

O jornal dos EUA diz que a agência poderia realizar ações secretas contra Maduro ou seu governo, unilateralmente ou em conjunto com uma operação militar maior. Além da Venezuela, a ordem permite à agência secreta operar em outras partes do Caribe.

Há cerca de 10 mil militares estadunidenses na região, a maioria em bases em Porto Rico, além de oito navios de guerra e um submarino no Caribe. A estratégia do governo Trump para a Venezuela, desenvolvida pelo Secretário de Estado Marco Rubio, com a ajuda de John Ratcliffe, diretor da CIA, visa tirar Maduro do poder. Os EUA prometeram uma recompensa de US$ 50 milhões (R$ 273 milhões) por informações que levem à captura do presidente venezuelano.

Ratcliffe falou pouco sobre o que sua agência está fazendo na Venezuela, mas prometeu que a CIA, sob sua liderança, se tornaria mais agressiva. Durante sua audiência de confirmação, ele disse que tornaria a CIA menos avessa a riscos e mais disposta a conduzir ações secretas quando ordenada pelo presidente, “indo a lugares onde ninguém mais pode ir e fazendo coisas que ninguém mais pode fazer”.

Venezuela se mobiliza

Nesta quarta-feira, Maduro ordenou exercícios militares nas maiores comunidades do país, em resposta ao envio de navios dos Estados Unidos ao Caribe, que seu governo denuncia como uma ameaça à paz regional. Desde agosto, o governo do presidente Donald Trump envia navios de guerra ao Caribe sob a justificativa de estar realizando operações de combate ao tráfico de drogas. Pelo menos cinco pequenas embarcações foram bombardeadas desde 2 de setembro, deixando 27 mortos. Caracas denuncia essas ações como “execuções extrajudiciais”.

Maduro nega as acusações de narcotráfico e afirma que elas são uma desculpa para justificar uma incursão na Venezuela, que enfrenta a “ameaça militar mais letal e extravagante da história”.

Na terça-feira (14), Trump informou que as forças militares de seu país destruíram outra lancha que transportava “seis narcoterroristas”.

A televisão venezuelana estatal mostrou imagens de veículos blindados mobilizados desde a madrugada em Petare, uma das maiores favelas da Venezuela, localizada perto de Caracas. A mobilização desta quarta-feira abrange a capital e o estado vizinho de Miranda, onde vivem cerca de 7 milhões de pessoas.

Maduro afirmou que a mobilização busca “defender montanhas, costas, escolas, hospitais, fábricas, mercados” e comunidades “para continuar alcançando a paz”. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, disse que os ataques dos Estados Unidos “visam apenas roubar da Venezuela seus imensos recursos naturais” e que os exercícios de mobilização fazem parte de uma “ofensiva permanente” contra o “cerco” e a “agressão” dos Estados Unidos.

Entre os crimes, atos de violência e desrespeito à soberania de outros países latino-americanos cometidos pela CIA, figuram a derrubada do governo do presidente Jacobo Árbenz, da Guatemala, inaugurando décadas de instabilidade; e a invasão de Playa Girón, na costa sudoeste de Cuba, apoiada pela CIA, em 1961. O episódio terminou em desastre e, depois disso, a agência tentou repetidamente assassinar Fidel Castro.

A CIA também esteve envolvida no golpe militar de 1964 no Brasil, na morte de Che Guevara e outras maquinações na Bolívia, o golpe de 1973 no Chile, o de 1976 na Argentina, e sabotou o governo sandinista de esquerda da Nicarágua na década de 1980.



Fonte:Brasil de Fato

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui