Site cruza dados do TSE e mostra onde Lula pode buscar votos no segundo turno

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Uma ferramenta lançada nesta segunda-feira (5) pretende transformar os resultados do primeiro turno em um mapa para orientar a militância de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL). O site Onde dá pra conversar cruza os dados públicos das urnas, seção por seção, para indicar regiões onde há maior número de eleitores que poderiam ser conquistados pelo presidente no segundo turno.

A lógica é simples: em vez de mostrar apenas onde Lula foi bem ou mal, a plataforma procura onde ainda existem votos potencialmente disponíveis. Entram nessa conta eleitores que não compareceram, votaram em branco ou nulo ou escolheram candidatos que ficaram fora do segundo turno — com exceção dos votos dados a Flávio Bolsonaro.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Flávio terminou a primeira votação com 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, enquanto Lula recebeu 53,8 milhões, equivalentes a 45,16%.

No site, o usuário pode digitar um endereço ou selecionar um ponto diretamente no mapa. A ferramenta então apresenta os locais de votação existentes em um raio de até um quilômetro e calcula o contingente de votos que, em tese, poderia ser disputado naquela área.

Os locais com maior potencial aparecem com prioridade.

A proposta é levar esse dado para a campanha de rua. A orientação da ferramenta é que as abordagens sejam realizadas no entorno dos locais de votação — em praças, ruas e estabelecimentos comerciais dos bairros — e não apenas em ações centralizadas de campanha.

Site cruza os dados públicos das urnas, seção por seção, para indicar regiões onde há maior número de eleitores que poderiam ser conquistados pelo presidente no segundo turno (Foto: Reprodução)

Argumentos mudam conforme o voto no primeiro turno

O projeto também tenta resolver outro problema tradicional da militância: como conversar com quem votou em candidatos diferentes.

Há orientações específicas para eleitores de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Em vez de sugerir um discurso único, a plataforma compara propostas defendidas por esses candidatos com pontos do programa de governo de Lula.

Segundo os responsáveis pela ferramenta, as comparações são feitas a partir de trechos literais dos programas e acompanhadas das respectivas fontes.

O site também reúne as principais propostas da campanha de Lula por área, com conteúdo extraído do programa oficial apresentado à Justiça Eleitoral.

Outra função permite que militantes sinalizem a região em que pretendem atuar. A ideia é evitar a concentração de voluntários nos mesmos bairros e distribuir as abordagens por diferentes partes da cidade.

Dados agregados, sem identificação de eleitores

Apesar de trabalhar com resultados extremamente localizados, a ferramenta não identifica quem votou em determinado candidato.

Os dados utilizados são os resultados agregados de cada seção eleitoral, disponibilizados publicamente pela Justiça Eleitoral. O voto continua sendo secreto: é possível saber quantos votos cada candidato recebeu em uma seção, mas não quem foram os eleitores responsáveis por esses votos. A plataforma afirma também não armazenar dados pessoais dos usuários.

A iniciativa chega no início de uma disputa em que a capacidade de conquistar eleitores que ficaram fora da polarização no primeiro turno será decisiva. Além dos votos dados a outros candidatos, o contingente de pessoas que se abstiveram também volta a estar disponível: a ausência no primeiro turno não impede o eleitor de votar no segundo.

O período indicado pelo projeto para as conversas vai de 5 a 24 de outubro. No dia 25, data da votação, a ferramenta ficará suspensa.

A interrupção acompanha as restrições previstas pela legislação eleitoral. No dia da eleição, pedir votos, distribuir propaganda ou abordar eleitores com o objetivo de influenciar sua escolha pode configurar crime de boca de urna.

Até lá, a aposta do Onde dá pra conversar é usar a geografia detalhada das urnas para responder a uma pergunta que passou a dominar a campanha de Lula depois do primeiro turno: não apenas quantos votos faltam, mas onde encontrá-los.





ICL Notícias

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