Secretaria de Educação de SC se pronuncia sobre apologia a nazismo e prega ‘respeito’

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Após reportagem do ICL Notícias expor trocas de mensagens em um grupo de servidores comissionados da Secretaria de Educação de Santa Catarina, o órgão se pronunciou a respeito do teor nazista e de intolerância política que circulava entre apoiadores do governador reeleito Jorginho Mello. Em nota oficial, a pasta fala em “convivência respeitosa” e “respeito mútuo”. O texto não fala na apuração e eventual penalização de possíveis crimes envolvidos nos diálogos que circularam especialmente após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo apurou a coluna, o grupo de Whats App foi criado meses antes do início oficial da campanha, reunindo servidores comissionados e convidados. Na noite da reeleição, o clima era de intolerância e perseguição a quem não estivesse alinhado à agenda do bolsonarismo. A secretaria não respondeu aos questionamentos feitos pela coluna antes da publicação vir à tona, mas se posicionou publicamente na manhã desta terça-feira.

Ao longo dos últimos dias, a denúncia realizada pela coluna repercutiu amplamente, gerando posicionamentos públicos como o do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado de Santa Catarina (Sinte). O Sinte fez uma nota dizendo repudiar essas práticas e afirmando que iria encaminhar “denúncia criminal aos órgãos competentes”. O órgão cobrou “explicações e providências do Governo de Santa Catarina e da Secretaria de Estado da Educação”.

Uma das mensagens trazia uma clara alusão ao nazismo, com a expressão “Hans, liga o gás”. Outras falavam em caçar profissionais da educação que não estivessem junto ao bolsonarismo e oferecer nomes ao governador do Estado, Jorginho Mello, que era homenageado com uma imagem sua como foto do grupo.

Confira a íntegra da nota:

NOTA OFICIAL

A Secretaria de Estado da Educação (SED) não compactua com práticas antidemocráticas, manifestações de intolerância ou qualquer forma de desrespeito às diferenças. A Secretaria reafirma seu compromisso com a democracia, a liberdade de pensamento e o respeito à pluralidade de ideias e posições políticas, princípios que devem orientar as relações e a atuação de todos os profissionais da Educação, nas unidades escolares, nas Coordenadorias Regionais de Educação e no órgão central da SED.

A escola deve ser um espaço protegido, dedicado à aprendizagem, à integração e à convivência respeitosa. Para isso, é fundamental que todos, profissionais da educação, estudantes e comunidade escolar, contribuam para a construção de ambientes pautados pelo diálogo e pelo respeito mútuo.

Toda e qualquer conduta que contrarie esses princípios será devidamente apurada, com a adoção das medidas administrativas cabíveis e a responsabilização dos envolvidos, conforme a legislação vigente.

Secretária participou do grupo e estimulou adesão a Jorginho Mello

Em postagens no Instagram, a Secretaria de Educação, Luciane Ceretta, chegou a responder algumas mensagens publicamente e disse que ficou sabendo do caso pela reportagem e que acredita que o grupo foi criado por “pessoas autônomas”.

No entanto, há registros de uma série de mensagens dela no grupo, incentivando a mobilização ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello. Há, também, menção a uma homenagem que ela própria receberia do Corpo de Bombeiros Militar em que foi incluído um link com formulário de confirmação de presença.

Em nota à coluna, a secretária afirma que saiu do grupo no dia 27 de agosto, “não mantendo, desde então, qualquer participação ou interação naquele espaço”. A íntegra da manifestação está abaixo.

A secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta, tem uma trajetória de mais de 30 anos pautada pela defesa da educação, da democracia, dos direitos humanos e do respeito às diferenças. Compreende a liberdade de expressão como um direito constitucional, que jamais deve ser utilizado como justificativa para manifestações que configurem crimes ou atentem contra a dignidade humana.

Em relação à participação no grupo de WhatsApp mencionado na reportagem, é importante destacar, primeiramente, que o espaço não representa a Secretaria de Estado da Educação. Trata-se de um grupo sem qualquer vínculo institucional com a Secretaria criado espontaneamente por pessoas, entre as quais estão profissionais da área da Educação.

A secretária foi incluída no grupo em 26 de julho, e teve interações pontuais, no âmbito do debate democrático. Em 27 de agosto, deixou o grupo espontaneamente, não mantendo, desde então, qualquer participação ou interação naquele espaço.

A secretária Luciane Ceretta tomou conhecimento da mensagem individual reproduzida na reportagem do ICL e, de imediato, buscou identificar sua origem e solicitou os encaminhamentos jurídicos cabíveis. Cabe destacar que a referida mensagem foi publicada em 25 de outubro, ou seja, dois meses após a saída da secretária do grupo.

Reiteramos que a trajetória da Secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta, é marcada pelo respeito à pluralidade de ideias e à liberdade de expressão, princípios que sempre defendeu publicamente.

É fundamental, contudo, deixar claro que a secretária não compactua, não concorda e não admite manifestações de ódio, violência, intolerância ou quaisquer condutas que atentem contra a dignidade humana.

A secretária reitera ainda seu compromisso com o trabalho em prol da qualidade da educação pública e da valorização docente, sobretudo enquanto estiver à frente da Secretaria de Estado da Educação.

 

 





ICL Notícias

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