Por Felipe Rabioglio
Um motorista rodoviário de Salvador denunciou ao ICL Notícias que trabalhadores receberam ordens para manter ônibus parados nas garagens durante o segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25). Segundo o funcionário, que pediu para não ser identificado, veículos com adesivos do número 13, associado ao PT, foram impedidos de circular, e os motoristas também não poderiam retirar o material para liberar os coletivos.
“Hoje a gente foi surpreendido quando chegou na garagem com algumas informações sobre alguns carros que estavam com adesivo com o número 13. Eles não poderiam ir para a rua e também o adesivo não poderia ser retirado”, contou.
O rodoviário afirmou que a orientação partiu diretamente da Prefeitura de Salvador, administrada por Bruno Reis (União Brasil), e atingiu diferentes garagens, incluindo operações do sistema Integra e do BRT.
Segundo ele, mais de 100 ônibus foram impedidos de circular, número superior aos aproximadamente 75 veículos cuja retenção foi reconhecida pela administração municipal.
“Algumas garagens, não foi uma só. Foram algumas garagens, tanto da Integra quanto do BRT também teve situações”, relatou.
Questionado sobre os bairros prejudicados, o motorista afirmou que a redução da frota afetou diferentes regiões da capital baiana, já que os coletivos retidos atendem linhas distribuídas pela cidade.
“A cidade toda foi afetada no geral, porque teve vários carros que não puderam sair da garagem”, disse. Ao comentar como se sentiu diante da situação, respondeu: “Oprimido”.
Justiça Eleitoral determina prisão de secretário
A retenção dos ônibus provocou longas esperas e aglomerações em pontos de Salvador, incluindo bairros como Lobato, Plataforma, Calçada, São Rafael, Mussurunga e Brotas. A prefeitura havia anunciado gratuidade no transporte público e circulação integral da frota durante a votação.
Após uma ação da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento imediato de todos os ônibus, com frequência equivalente à dos dias úteis.
O magistrado também ordenou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, e estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento da decisão. A administração municipal recebeu prazo de uma hora, a partir da notificação, para comprovar a normalização do serviço.
Durante a fiscalização, o Procon-BA encontrou 252 ônibus aptos a circular, mas estacionados em três garagens da capital. Uma inspeção judicial na sede do BRT, na Avenida Barros Reis, também identificou veículos parados. Segundo informações registradas no processo, um supervisor atribuiu a redução da frota a uma orientação da Secretaria Municipal de Mobilidade.
Prefeitura atribui retenção a adesivos eleitorais
A Prefeitura de Salvador afirmou que o atraso ocorreu porque ônibus foram adesivados com propaganda eleitoral do PT, supostamente colocada por integrantes do sindicato dos rodoviários.
Procurado anteriormente pelo repórter André Uzêda, do ICL Notícias, o secretário Pablo Souza atribuiu a demora de mais de seis horas na liberação dos veículos a dificuldades burocráticas para retirar os adesivos.
Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade informou que o serviço foi normalizado após diálogo com equipes de operação e entidades sindicais. Ao portal Aratu On, Souza negou ter agido de má-fé.
O relato do rodoviário ouvido pelo ICL Notícias, porém, aponta que os funcionários foram orientados não apenas a manter os ônibus nas garagens, mas também a não retirar os adesivos que impediam a circulação.
Redução da frota ocorre em cidade onde Lula venceu todas as zonas eleitorais
O episódio ocorreu em uma cidade onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) em todas as 19 zonas eleitorais no primeiro turno, com 65,26% dos votos contra 27,03% do adversário.
O prefeito Bruno Reis integra o grupo político de ACM Neto, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Representantes do PT acusaram a administração municipal de dificultar o deslocamento dos eleitores e favorecer a abstenção. A prefeitura, por sua vez, atribuiu os atrasos à presença de propaganda eleitoral irregular nos ônibus.



