Por Cleber Lourenço
O PT pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que aprofunde as investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção associada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e que recebeu recursos vinculados ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Na petição apresentada ao ministro Flávio Dino, o partido sustenta que a obra pode ter sido utilizada como instrumento de financiamento eleitoral paralelo para a pré-campanha presidencial de Flávio em 2026.
O pedido amplia a ofensiva jurídica iniciada pelo partido contra a relação entre o senador, Vorcaro e os recursos destinados ao longa-metragem. Até então, as representações se concentravam na origem do dinheiro empregado na produção e nas conexões financeiras entre os envolvidos. Agora, a legenda passa a sustentar que o caso também deve ser investigado sob a ótica eleitoral.
Na manifestação encaminhada ao STF, o PT solicita a análise de contratos, licenças, distribuição internacional, seguros e demais movimentações financeiras relacionadas ao filme. O objetivo, segundo o partido, é verificar se recursos destinados formalmente à produção audiovisual foram utilizados para promover politicamente o senador ou estruturar atividades ligadas à sua futura campanha.
A petição também pede que sejam apurados possíveis indícios de abuso de poder econômico e de financiamento eleitoral não declarado. Para a legenda, há elementos que justificam a investigação sobre eventual desvio de finalidade dos recursos empregados no projeto.
O líder da bancada petista na Câmara, Pedro Uczai (PT-RS), comentou a ação: “queremos esclarecer esse achaque da família Bolsonaro ao banqueiro preso, Daniel Vorcaro. Inclusive na semana passada estivemos nos EUA entregando documentos às autoridades norte-americanas e pedindo colaboração nas investigações. Em verdade podemos fazer uma boa síntese: os Irmãos Metralha pediram dinheiro ao Tio Patinhas para fazer um filme do Pateta e se deram muito mal”.
O filme Dark Horse tornou-se alvo de questionamentos após a revelação da proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Em maio, o senador admitiu ter se encontrado com o banqueiro após sua soltura mediante uso de tornozeleira eletrônica. Na ocasião, afirmou que a conversa teve como objetivo discutir alternativas para a continuidade do financiamento da produção.
A relação entre ambos passou a ser alvo de representações no STF e de pedidos de investigação apresentados por parlamentares da base governista. Em outra frente, deputados do PT já haviam solicitado apurações sobre possíveis irregularidades envolvendo a captação de recursos para o longa e a movimentação financeira de empresas ligadas ao projeto.
O novo pedido acrescenta um elemento que pode ampliar significativamente o alcance das investigações: a hipótese de que a estrutura criada em torno do filme tenha servido não apenas para viabilizar a produção cinematográfica, mas também para beneficiar politicamente um potencial candidato à Presidência da República.
Caso a tese avance, a apuração poderá alcançar não apenas a origem dos recursos empregados no projeto, mas também a destinação final do dinheiro, contratos celebrados, prestação de serviços e eventual utilização da estrutura do filme em atividades de caráter eleitoral.
Até o momento, Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que o projeto segue todos os requisitos legais. O espaço permanece aberto para manifestações dos envolvidos.



