Por Cleber Lourenço
O PSOL divulgou nesta terça-feira uma nota oficial em que não descarta a possibilidade de Guilherme Boulos disputar o Senado em 2026. A manifestação vem após o deputado ser confirmado para assumir a Secretaria-Geral da Presidência da República, com status de ministro. Segundo o partido, a nomeação é vista como um movimento estratégico que fortalece a ligação entre o governo e os movimentos sociais, consolidando a presença da esquerda nos espaços institucionais e nas ruas. A legenda entende que a presença de Boulos no primeiro escalão do governo Lula amplia o alcance político da sigla e pode ser decisiva para mobilizar a base social em torno das pautas prioritárias da coalizão governista.
Membros próximos da direção do PSOL afirmaram ao ICL Notícias que a sigla trabalha com dois nomes como possíveis candidatos ao Senado por São Paulo dentro da federação PSOL/Rede: Guilherme Boulos e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. “Pela federação, os nomes seriam os de Boulos e Marina”, disse uma das fontes, ressaltando que ambos estão colocados como opções reais para a disputa.
Segundo esses interlocutores, a definição deve ocorrer apenas no próximo ano, após avaliação política conjunta entre as duas legendas, levando em conta o desempenho de cada liderança e as prioridades da federação no estado de São Paulo.
Nota do PSOL
A nota oficial do partido assinada pela presidente do partido, Paula Coradi, afirma que “pela liderança política que exerce o Boulos, ele seria um excelente nome para a disputa eleitoral do ano que vem, em especial para o Senado”.
Fontes da legenda explicaram ainda que o partido não considera haver impedimento legal para que Boulos, mesmo ocupando cargo de ministro, concorra às eleições de 2026. A avaliação é que ele poderá deixar o posto dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral, preservando o direito de disputar o pleito. “Essa hipótese de impedimento não existe”, resumiu um integrante da direção nacional, que destacou o foco atual na construção política e na integração entre as agendas partidária e governamental.
Na nota oficial, o PSOL reforçou o perfil de Boulos como militante político e líder de um dos movimentos sociais mais relevantes do país. “Ele sempre apostou na mobilização popular como instrumento de transformação social”, diz o texto. Para o partido, sua presença no governo poderá ajudar a organizar novas formas de mobilização e ampliar o diálogo com a sociedade civil. Dirigentes avaliam que o novo ministro terá um papel importante na defesa da agenda popular e no enfrentamento às ofensivas conservadoras e neoliberais em curso no Congresso.
Outros nomes
Além de Boulos, o PSOL vê com otimismo o desempenho de outros nomes da federação em São Paulo. A legenda acredita no crescimento eleitoral da deputada Érika Hilton, que tem se destacado no Congresso pela defesa de pautas ligadas aos direitos humanos, diversidade e combate à desigualdade. Também são citados os deputados estaduais Guilherme Cortez e Marina Helou, da Rede Sustentabilidade, que devem ter papel relevante na ampliação da base eleitoral e na renovação dos quadros políticos da federação.
Dirigentes da federação PSOL/Rede avaliam que, caso Boulos opte por concorrer ao Senado, o partido poderá construir uma chapa que una experiência de gestão, visibilidade pública e capacidade de mobilização social. A presença de Marina Silva como possível alternativa é vista como um fator de fortalecimento da federação, já que ela carrega prestígio internacional e uma trajetória consolidada na defesa ambiental. Internamente, há quem veja na combinação dos dois nomes — Marina e Boulos — uma estratégia para equilibrar o discurso ambiental com o foco nas causas sociais, aproximando diferentes segmentos do eleitorado progressista.
Marina Silva e Guilherme Boulos (Foto: Marcelo Camargo)
Com a reorganização do cenário político em São Paulo, o PSOL acredita que pode sair fortalecido das próximas eleições. A avaliação é que o partido, com apoio de Lula e da base governista, pode disputar protagonismo com legendas tradicionais, especialmente em um contexto de polarização crescente. Membros da cúpula psolista afirmam que a combinação entre uma base militante sólida, a visibilidade ministerial de Boulos e a credibilidade de Marina Silva dá ao campo da federação uma condição competitiva inédita no estado.
Nos bastidores, integrantes da federação afirmam que a estratégia eleitoral de 2026 será desenhada com base em pesquisas qualitativas e no monitoramento da opinião pública ao longo do próximo ano. O objetivo é avaliar o melhor momento para lançar candidaturas e consolidar alianças que ampliem a presença da federação PSOL/Rede tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.




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