PRÊMIO NESTOR NASCIMENTO 2026: A MEMÓRIA DE UM HOMEM QUE TRANSFORMOU LUTA EM LEGADO

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MANAUS — Há nomes que permanecem porque foram escritos em livros. Outros permanecem porque continuam vivos na memória daqueles que conheceram sua trajetória.

Nestor Nascimento pertence às duas histórias.

Seu nome está registrado na história social e cultural do Amazonas, mas também permanece presente nas lutas, nas instituições e nas manifestações culturais que ajudou a construir.
É por isso que o Prêmio Nestor Nascimento, promovido pela Assembleia Legislativa do Amazonas por meio da Escola do Legislativo Senador José Lindoso, ultrapassa o significado de uma simples homenagem. É uma premiação que transforma memória em reconhecimento.

Em 2026, o prêmio chega a mais uma edição com a missão de destacar pessoas que fazem da promoção da igualdade racial, da valorização da cultura negra, da produção de conhecimento e do combate ao racismo uma atividade permanente.

De acordo com o edital deste ano, a solenidade está prevista para 19 de novembro de 2026, em alusão ao Dia da Consciência Negra. Serão escolhidos homenageados em sete áreas de atuação, além da possibilidade de concessão de certificados de Menção Honrosa.

A iniciativa está prevista na Resolução Legislativa nº 914/2022, que tornou o Prêmio Nestor Nascimento uma ação permanente do Legislativo amazonense.

QUEM FOI NESTOR NASCIMENTO?

Para compreender a importância do prêmio, é preciso conhecer o homem que empresta seu nome à premiação.
Nestor José Soeiro do Nascimento nasceu em Manaus, em 11 de dezembro de 1947, e morreu em 31 de maio de 2003.

Advogado, jornalista, militante e liderança reconhecida do movimento negro no Amazonas, Nestor dedicou parte significativa de sua vida à defesa dos direitos civis e à luta contra o racismo.

Foi fundador do Movimento Alma Negra (MOAN) e teve participação importante na organização social da comunidade negra de Manaus. Também esteve ligado à Associação de Moradores e Amigos da Praça 14 de Janeiro e à fundação da Escola de Samba Vitória Régia, uma das mais importantes agremiações culturais da cidade.

Sua atuação ultrapassou as fronteiras do Amazonas.

Em 1997, Nestor foi convidado pelo então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, para participar de discussões relacionadas aos direitos humanos. A trajetória fez dele uma referência que ganhou reconhecimento também fora do Brasil.

Mas talvez uma das maiores marcas de Nestor tenha sido justamente a capacidade de transformar consciência em ação.
Ele não se limitou a denunciar o racismo, organizou, mobilizou, criou espaços, participou da construção de movimentos, defendeu direitos e ajudou a fortalecer a identidade negra no Amazonas.

UM PRÊMIO QUE CARREGA UMA HISTÓRIA

Quando a Assembleia Legislativa instituiu o prêmio, não estava simplesmente criando mais uma homenagem no calendário oficial, mas também estabelecendo uma forma de manter viva uma trajetória.

A resolução que criou a premiação estabelece como objetivo reconhecer personalidades locais e regionais que atuam na promoção da igualdade racial, nas políticas afirmativas e no combate ao racismo na sociedade amazonense.

É uma definição que conversa diretamente com a história de Nestor. Porque o prêmio leva justamente o nome de alguém que dedicou sua vida à construção dessa agenda.

Nestor lutou para que a população negra tivesse voz. O prêmio procura reconhecer quem continua fazendo essa voz ser ouvida.

SETE CAMINHOS PARA RECONHECER A LUTA

O edital de 2026 amplia a dimensão dessa homenagem ao contemplar diferentes formas de atuação.

Entre as categorias estão:
Preservação da fé nas religiões de matriz africana e o combate à intolerância religiosa;
Feminismo negro;
Respeito, a visibilidade, o resgate histórico e a luta contra o racismo;
Promoção de atividades afro-culturais e educativas;
Protagonismo negro;
Produção acadêmica, literária e os estudos sobre a presença negra no Amazonas;
Promoção da saúde integral da população negra e da redução das desigualdades étnico-raciais
.

Essa diversidade é importante porque a luta pela igualdade racial não acontece em um único lugar, na escola, na universidade, na cultura, na religião, na comunidade, na saúde, na produção intelectual, na preservação da memória, sobretudo na capacidade de ocupar espaços historicamente negados à população negra.

A CULTURA COMO INSTRUMENTO DE RESISTÊNCIA

Não é por acaso que a história de Nestor também está ligada ao samba e às escolas de samba. A cultura sempre foi uma das grandes ferramentas de afirmação da identidade negra.

Em Manaus, o Carnaval não é apenas entretenimento. É também território de memória. É espaço de expressão. É lugar de pertencimento.

E a trajetória de Nestor dentro desse universo demonstra justamente essa dimensão. Sua ligação com a Vitória Régia colocou sua atuação social e cultural em contato direto com uma das maiores manifestações populares da cidade.  O samba, nesse contexto, não é apenas música.   É memória. É resistência. É identidade. É comunidade. E é também uma maneira de contar histórias que muitas vezes não aparecem nos livros oficiais.

A IMPORTÂNCIA DE RECONHECER ENQUANTO HÁ TEMPO

Existe uma razão ainda maior para que premiações como essa sejam valorizadas. A memória não pode depender apenas dos livros.
Ela precisa ser cultivada, transmitida e reconhecida.

Cada homenageado do Prêmio Nestor Nascimento carrega uma história de luta que pode inspirar uma nova geração. E cada edição do prêmio ajuda a construir um grande arquivo vivo da atuação negra no Amazonas. É uma espécie de fotografia anual de pessoas e iniciativas que estão contribuindo para transformar a sociedade.

2026: MAIS UMA PÁGINA DESSA HISTÓRIA

O edital deste ano representa mais uma etapa dessa trajetória.

A seleção será realizada por uma comissão avaliadora composta por pessoas com atuação relacionada às políticas afirmativas e à promoção da igualdade racial, seguindo critérios estabelecidos no próprio edital.

Os trabalhos inscritos serão analisados e o resultado final está previsto para ser publicado em novembro, conforme o cronograma oficial.

A solenidade de premiação, marcada para 19 de novembro, será mais uma oportunidade para reunir memória e presente.

De um lado, Nestor Nascimento, cuja trajetória continua inspirando.

Do outro, homens, mulheres, instituições e iniciativas que continuam enfrentando os desafios da desigualdade racial no Amazonas.

MAIS QUE UM TROFÉU

Talvez seja essa a principal mensagem do Prêmio Nestor Nascimento.

Ele não premia apenas pessoas. Premia trajetórias.
Não reconhece apenas resultados, mas a resistência, celebra conquistas e aqueles que tiveram coragem de começar, o que faz toda diferença.
Nestor Nascimento não construiu seu legado esperando reconhecimento, mas porque acreditava que era necessário lutar e é E é justamente esse espírito que o prêmio procura preservar.

NESTOR CONTINUA PRESENTE

Mais de duas décadas depois de sua morte, o nome de Nestor continua circulando nas escolas, no meio cultural, no movimento negro, no samba, nas instituições, na memória coletiva da Praça 14 e agora, oficialmente, em uma premiação que todos os anos reconhece aqueles que seguem trabalhando pela igualdade racial no Amazonas.

Esse talvez seja o maior prêmio que alguém pode receber, continuar sendo lembrado não apenas pelo que fez, mas pelo que ensinou outras pessoas a continuar fazendo.

Em 2026, o Prêmio Nestor Nascimento escreve mais uma página dessa história, que começou com um homem que decidiu não aceitar o silêncio, que transformou indignação em organização, consciência em militância, cultura em instrumento de afirmação e que deixou um legado que continua atravessando gerações.

Nestor Nascimento não é apenas um nome em um prêmio. É uma memória que se transforma em compromisso.

E, enquanto houver pessoas lutando por dignidade, igualdade, respeito e justiça racial no Amazonas, a história de Nestor continuará sendo contada.


UMA HOMENAGEM QUE SE RENOVA

O Prêmio Nestor Nascimento nasceu para reconhecer aqueles que trabalham pela igualdade racial. Mas existe uma dimensão ainda maior nessa iniciativa: ela ajuda o Amazonas a preservar sua própria história.

Em um estado cuja formação cultural carrega profundas contribuições da população negra, reconhecer seus personagens, pesquisadores, artistas, lideranças e movimentos é também reconhecer uma parte fundamental daquilo que somos.

Por isso, a edição de 2026 não deve ser vista apenas como mais uma cerimônia.

É um encontro entre passado, presente e futuro.
Os homenageados representam a luta presente e as novas gerações representam aquilo que ainda precisa ser construído.
Nestor representa a memória.
Essa é a força de um legado.

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