O papa Leão XIV, de 71 anos, foi diagnosticado com câncer no pulmão após receber os resultados dos exames de uma cirurgia para a retirada de um nódulo do lado direito do órgão nesta terça-feira (13), em Roma, na Itália. O procedimento foi realizado no Hospital Gemelli e, segundo o Vaticano, a operação ocorreu conforme o previsto e sem complicações.
O diagnóstico foi confirmado por meio de um exame histológico do tecido retirado durante a intervenção. O resultado identificou um adenocarcinoma pulmonar, tipo de câncer que se origina nas células glandulares que revestem estruturas do organismo.
A cirurgia durou aproximadamente 90 minutos. Ao todo, o pontífice permaneceu cerca de três horas na sala operatória e, após o procedimento, retornou ao quarto do hospital, onde iniciou a recuperação. A expectativa é de que ele permaneça internado por cerca de uma semana.
Segundo a agência de notícias Associated Press, médicos tiveram de aplicar uma anestesia geral e realizaram uma biópsia na lesão após a remoção. A AP afirmou que cirurgia teve início após profissionais de saúde rezarem o terço na capela do hospital.
“Vamos nos unir em oração, pedindo ao Senhor que ampare nosso bispo, o papa Leão, e conforte todos aqueles que estão hospitalizados aqui”, disse o vigário de Roma, cardeal Baldassare Reina, durante a oração, segundo fontes da AP.
Até o momento, o Vaticano não anunciou a necessidade de quimioterapia ou de outros tratamentos complementares.
O anúncio
Leão XIV havia revelado a descoberta do nódulo no domingo (11), durante a tradicional oração do Angelus, na Praça de São Pedro, no Vaticano. Na ocasião, afirmou que a alteração havia sido identificada durante exames médicos recentes, em uma fase inicial e seu crescimento está “bem controlado”. Ainda assim, afirmou o papa, médicos recomendaram a cirurgia para a remoção.
O papa decidiu seguir a orientação e se deslocou para o Hospital Gemelli nesta terça-feira. O anúncio surpreendeu fiéis durante oração na Praça de São Pedro.
“Queridos amigos, durante alguns exames médicos recentes, os médicos encontraram um nódulo localizado em meu pulmão. Ele foi detectado em um estágio muito inicial e está bem localizado. Os médicos consideram a cirurgia adequada. Seguindo a orientação deles, decidi, portanto, submeter-me a uma operação para removê-lo. A cirurgia já está agendada para os próximos dias. Agradeço pela proximidade espiritual de vocês e confio-me às suas orações”, disse o papa aos fiéis.
Os compromissos públicos de Leão XIV foram suspensos até 20 de outubro.
O pontífice foi eleito em maio de 2025 e, até então, não havia enfrentado nenhum problema de saúde de grande repercussão pública durante seu papado.
A viagem apostólica prevista para novembro, com visitas ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, entre os dias 6 e 17, permanece na agenda anunciada até o momento.
Veja o comunicado do Vaticano na íntegra:
“O Dr. Luigi Carbone e o Prof. Stefano Margaritora comunicam o seguinte a respeito da intervenção realizada nesta tarde:
O Santo Padre foi submetido, conforme programado, a uma cirurgia torácica.
Para assegurar a radicalidade da intervenção, foi removido o lobo inferior do pulmão direito por meio de técnica videoassistida. O exame histológico intraoperatório confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, conforme suspeitado pelos exames pré-operatórios.
O Santo Padre permaneceu na sala de cirurgia por cerca de três horas, enquanto a intervenção teve duração aproximada de 90 minutos. A cirurgia foi bem-sucedida e não houve complicações.
Após a intervenção, o Papa despertou normalmente e, depois de um breve período de observação, retornou ao seu quarto, no 10º andar.
A equipe cirúrgica foi coordenada pelo Prof. Stefano Margaritora, auxiliado pela Prof.ª Elisa Meacci, pela Dr.ª Maria Teresa Congedo e pelo Dr. Leonardo Petracca Caravella.
A equipe de anestesiologia era composta pelo Prof. Massimo Antonelli, pelo Dr. Giovanni Punzo e pelo Dr. Giuseppe Bello.”


