Paes esquerda contam com STF para virar o jogo no RJ

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Por Igor Mello

Após conseguirem na Justiça a anulação da eleição que colocou Douglas Ruas (PL) no comando da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) –e, de quebra, na cadeira de governador interino– partidos de esquerda e o PSD de Eduardo Paes tentam construir um cenário para virar o jogo.

Para isso, as duas forças de oposição ao grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-governador Cláudio Castro (PL) contam com uma decisão favorável no Supremo Tribunal Federal (STF).

Fux suspende regras

O plenário virtual da corte discute uma ação movida pelo PSD contra uma lei complementar aprovada na Alerj para manter o controle da eleição indireta que escolherá o substituto de Castro. A legislação determinou que a eleição será com voto nominal e aberto dos deputados –sistema que aumenta o poder de pressão do PL e dos partidos de Centrão. Também define um prazo de 24 horas para a descompatibilização dos candidatos.

A mudança tirou do jogo o ex-presidente da Alerj André Ceciliano (PT), que tentava se viabilizar como candidato a governador no mandato tampão até dezembro de 2026. Ceciliano é o único nome ligado à oposição com musculatura no parlamento para rachar a base de Castro.

Carmén Lúcia abre divergência

O ministro Luiz Fux, relator do caso no STF, suspendeu os dois artigos. Em seguida, submeteu o processo ao plenário virtual do Supremo, em julgamento que vai até a próxima segunda-feira. No entanto, não deve emplacar sua visão: a ministra Cármen Lúcia abriu divergência permitindo o prazo de 24 horas, mas mantendo a determinação de Fux para que a eleição tenha voto secreto dos deputados.

O voto de Cármen Lúcia já recebeu o apoio de André Mendonça e Kássio Nunes Marques. São necessários mais dois votos para que a posição da ministra suplante a de Fux.

Articulação entre Paes e esquerda

Essa configuração é vista como positiva pela oposição. Neste momento, os grupos de Paes e da esquerda trabalham em um arranjo para reverter uma provável vitória de Douglas Ruas na disputa pelo comando da Alerj

O arranjo colocaria um aliado de Paes –o deputado Chico Machado (PSD)– como presidente da Alerj. Machado assumiria interinamente o governo do Rio e comandaria o processo de eleição do novo governador.

Em troca, Paes e seus aliados apoiariam a candidatura de André Ceciliano ao mandato tampão como governador. Nos bastidores, diz-se que o petista conseguiria atrair parte dos votos do Centrão, que na eleição anulada apoiou em bloco Douglas Ruas. Ele acredita ter 36 dos 70 votos, número suficiente para ganhar a eleição.

Com isso, o Rio chegaria à eleição de outubro com o Centro e a esquerda no comando do governo do estado e da Alerj. Um cenário considerado favorável tanto por Eduardo Paes, que tentará se eleger governador, quanto para o presidente Lula –que teria um aliado no comando do reduto eleitoral de Flávio Bolsonaro.





ICL Notícias

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