ONU reconhece tráfico de escravizados como ‘crime mais grave contra humanidade’

0
28


Na última semana do mês de março, a Assembleia Geral da ONU– Organizações das Nações Unidas classificou o tráfico transatlântico de escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade”.

A votação, que teve 123 votos de estados-membros a favor e três contra, tornou a decisão histórica um marco na luta pela reparação contra os crimes cometidos durante e após os processos de partilha e colonização do continente africano e seus impactos sociais e econômicos.

Olhando para o Brasil, um dos países que mais “recebeu” pessoas africanas na condição de escravidão, entre os séculos XVI e XVIII, é importante ressaltar que a medida nos proporciona ampliar os debates e ações para o fortalecimento na luta contra o racismo e políticas voltadas para promoção da igualdade e equidade racial.

Como bem sabemos, após a abolição da escravidão não tivemos, de forma pontual, um projeto emancipatório para incorporar as pessoas negras à sociedade brasileira.

Como ativista dos direitos humanos e membro dos movimentos negros, compreendo e vejo a aprovação da resolução como um marco extremante importante e um exemplo para o nosso país que
ainda vive sob a falsa ideia de democracia racial e que nada fez de concreto para a emancipação das populações negras após a abolição da escravidão. O desafio que temos ainda é muito grande.

E quando digo desafio pontuo principalmente o desinteresse, por parte do Estado brasileiro, em propiciar ações e políticas públicas que possam efetivamente ajudar a erradicação do racismo em nossa sociedade.

De forma indireta o Estado nos delegam, enquanto movimento antirracista, a responsabilidade da promoção e da construção de uma sociedade mais igualitária sem ao menos reconhecer que o racismo, assim como a intolerância, está entranhado na gênese da nossa formação social, política, econômica e cultural brasileira.

 

 

*Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos é professor e orientador no Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ. Conselheiro Estratégico do CEAP. Autor e idealizador da série Resistência Negra, da Globoplay.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui