O novo pacote tarifário dos Estados Unidos contra produtos brasileiros entrou em vigor à 1h01 (horário de Brasília) desta quarta-feira (22), ampliando as restrições comerciais entre os dois países. A medida estabelece uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros e foi oficializada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), como resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
O processo teve início após o anúncio, em 2025, da tarifa de 50% imposta pelo governo Donald Trump sobre produtos do Brasil.
Segundo o USTR, a decisão foi motivada por supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. O órgão apontou preocupações relacionadas às políticas brasileiras para comércio digital, concessão de tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.
Apesar de audiências públicas em que representantes da sociedade civil e do setor produtivo manifestaram oposição à medida, o governo americano concluiu que essas políticas criam insegurança jurídica e prejudicam a competitividade das empresas dos Estados Unidos.
O governo brasileiro afirmou que continuará buscando uma solução negociada para o impasse e classificou a nova tarifa como injusta e sem justificativa.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e integrantes da equipe econômica reiteraram que a prioridade será manter o diálogo com Washington, ampliar a abertura de novos mercados para os exportadores brasileiros e adotar medidas de apoio aos setores afetados. A administração federal também mantém em estudo a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, mas tem evitado tratar o tema como retaliação.
Nos últimos dias, representantes do governo se reuniram com empresários e entidades do setor produtivo para discutir alternativas diante do aumento das tarifas.
A orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é agir com cautela, buscando minimizar os impactos sobre a economia brasileira e evitar uma escalada na disputa comercial que possa elevar custos para consumidores e empresas. O Executivo avalia que preservar os canais de negociação continua sendo a principal estratégia para tentar reverter as medidas adotadas pelos Estados Unidos.



