‘Não venham de fora meter o dedo nas nossas eleições’, diz Lula em convenção do PT em SP

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Por Brasil de Fato

Em seu discurso na convenção que lançou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, na tarde deste sábado (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou um recado enfático contra as pressões dos Estados Unidos: “Não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições”.

A declaração de Lula reage diretamente às revelações de que o governo de Donald Trump planeja enviar funcionários de alto escalão a Brasília para lançar dúvidas sobre a integridade das urnas eletrônicas brasileiras. Ao discursar para os militantes reunidos na Arena Concórdia, em Campinas, o presidente afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas na sua soberania política:

“Quem quiser vir de fora se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo, vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 158 milhões de eleitores. Quem vai definir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo. E por isso o aviso tá dado. O Brasil é soberano”, exaltou Lula.

Para além da defesa do processo eleitoral contra ameaças estrangeiras, o presidente centrou o seu pronunciamento nas diretrizes estratégicas para a campanha estadual paulista. Lula acredita que esta será a primeira disputa no país em que os adversários farão uso massivo de inteligência artificial nas redes sociais para “ludibriar a boa fé” dos eleitores.

Segundo ele, a base de sustentação das campanhas opositoras será a mentira digital, porque os candidatos da direita e extrema direita não possuem biografia ou propostas de governo reais para apresentar à população. Ele sugeriu aos apoiadores utilizarem seus aparelhos celulares de forma construtiva, combatendo desinformações por meio de conversas diretas com amigos, parentes e vizinhos.

Haddad oficializou candidatura ao governo de SP | Crédito: Reprodução
Haddad oficializou candidatura ao governo de SP | Crédito: Reprodução

Lula elogiou a lealdade de Haddad e o qualificou como o “melhor ministro da economia que o país já teve”, enumerando os feitos de sua gestão à frente do Ministério da Fazenda.

O presidente detalhou que, sob o comando econômico de Haddad, o Brasil registrou a menor inflação acumulada em quatro anos, obteve o menor desemprego da história e registrou um crescimento constante do Produto Interno Bruto (PIB) acima de 3%. Ele ressaltou ainda que Haddad conseguiu aprovar uma reforma tributária aguardada há 40 anos, isentando a população de menor renda de impostos.

A consolidação da frente ampla que apoia a chapa também recebeu destaque. Lula também elogiou o candidato a vice-governador Márcio França (PSB) por sua postura digna e de respeito mútuo, mesmo nos momentos em que atuavam em campos opostos. O presidente comentou ainda sobre seu vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), classificando-o como o “melhor vice da história desse país, cuja lealdade afasta qualquer fantasma de ruptura institucional”.

O presidente traçou uma linha ética divisória entre os integrantes da coligação progressista e os seus adversários políticos paulistas e nacionais: “Dessa turma aqui, nenhum tem vergonha do que fez na vida. Aqui ninguém nasceu com miliciano. Aqui ninguém nasceu com o crime. Aqui são pessoas que conquistaram o direito de andar de cabeça erguida, com muita humildade, mas de cabeça levantada”.

Ao tratar das vagas para o Senado Federal, Lula fez uma defesa vigorosa das ex-ministras candidatas na chapa. Sobre Marina Silva (Rede), ele afirmou que o povo paulista terá o orgulho de eleger a figura mais respeitada e destemida do planeta na defesa da pauta climática.

Em relação a Simone Tebet (PSB), o presidente recordou o caráter decisivo de sua atuação na eleição presidencial de 2022. Ele lembrou que Tebet, após ser sua concorrente em primeiro turno, imediatamente declarou apoio ao petista na etapa final da disputa e, posteriormente, assumiu a pasta do Planejamento para elaborar o orçamento nacional em parceria com Haddad.

Lula pediu a duplicação de votos para consolidar a presença de ambas no Congresso. De acordo com o presidente, a aliança mútua garante que “quem vota na Marina, vota na Simone, quem vota na Simone, vota na Marina”.

O discurso de quase 30 minutos foi encerrado com um resgate histórico das conquistas da classe trabalhadora no Brasil. Lula comparou a resistência enfrentada pela chapa atual à hostilidade histórica que a elite paulista nutriu contra Getúlio Vargas por ter criado o salário mínimo e a CLT, e aproveitou o momento para celebrar a tramitação do fim da escala de trabalho 6×1 no Congresso.

Com otimismo no projeto eleitoral, o presidente convocou as mulheres, os homens e a juventude a manterem a cabeça erguida. Lula concluiu assegurando que a frente ampla vencerá o pleito presidencial de 2026 e que, em São Paulo, os eleitores garantirão a vitória da soberania popular nas urnas.

 





ICL Notícias

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