Por Felipe Rabioglio
O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça Eleitoral, nesta quarta-feira (30), a suspensão do porte de arma do candidato a deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ) até o fim da campanha eleitoral. A medida foi solicitada após o episódio em frente ao comitê de Flavio Serafini (PSOL-RJ), na Tijuca, Zona Norte do Rio.
A Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro também pediu autorização ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) para instaurar um inquérito policial contra Knoploch. O órgão quer ainda que o parlamentar seja proibido de frequentar o comitê e os atos de campanha de Serafini e de manter contato com vítimas e integrantes das equipes envolvidas no episódio.
A representação é consequência da notícia-crime apresentada por Serafini depois da confusão ocorrida na segunda-feira (28). Na ocasião, Knoploch exibiu uma arma durante uma discussão com integrantes da campanha do PSOL e admitiu posteriormente ter utilizado spray de pimenta.
No documento, assinado pelo procurador regional eleitoral auxiliar Eduardo André Lopes Pinto, o MPF afirma que existe um “risco concreto de nova e gravosa escalada de violência política nas ruas” nos últimos dias antes da eleição.

MPF aponta risco de repetição
Para justificar a urgência das medidas, a Procuradoria cita uma publicação feita pelo próprio Knoploch dez dias antes da confusão.
Segundo o documento, em 18 de setembro, o deputado impulsionou com recursos de campanha um vídeo no Facebook com a mensagem: “A PACIÊNCIA ACABOU! SE NÃO RESPEITAR VOU RESPONDER COM SPRAY DE PIMENTA”.
O MPF também menciona um vídeo publicado por Knoploch depois do episódio na Tijuca. Na gravação, segundo a representação, o deputado reconheceu ter utilizado o spray e afirmou que o usaria contra quem tentasse agredi-lo. O parlamentar também declarou que a atuação política ocorre “na guerra”.
Outro ponto destacado pela procuradoria é o arsenal declarado por Knoploch à Justiça Eleitoral. Segundo a representação, o deputado informou possuir sete armas de fogo, entre elas fuzis Taurus T4 calibre .556, carabina .40, pistolas 9 mm e .45 e revólver .357 Magnum.
Para o MPF, a combinação entre o armamento declarado, as manifestações anteriores e o episódio na Tijuca reforça a necessidade das medidas cautelares para evitar novos confrontos até o fim da campanha.

Procuradoria aponta sete possíveis crimes
A procuradoria pediu autorização para que seja investigada a possível prática de sete crimes no episódio.
Entre as hipóteses apontadas estão impedimento ao exercício da propaganda eleitoral, violência política de gênero, injúria eleitoral, lesão corporal, ameaça e desobediência. O MPF também pede que seja apurado eventual porte ilegal de arma, caso se constate que Knoploch não possuía autorização válida para portá-la.
No caso da violência política de gênero, a representação cita especificamente Maria de Lourdes do Carmo, candidata a suplente ao Senado. Segundo a Procuradoria, ela teria sido alvo de agressões físicas e verbais relacionadas à sua condição de mulher e destinadas a dificultar sua atuação na campanha.
O MPF também solicitou uma série de diligências, como a perícia dos vídeos do episódio, exames de corpo de delito, informações sobre o registro e o porte das armas de Knoploch e a preservação de imagens de câmeras da região e das câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência.
O episódio na Tijuca
O caso ocorreu na segunda-feira, quando Knoploch participava de uma agenda eleitoral na Tijuca. Segundo a notícia-crime que deu origem à manifestação do MPF, ele se dirigiu ao comitê de Serafini e se envolveu em uma discussão com integrantes da campanha por causa da música que era tocada no local.
O documento relata que, depois de uma pessoa afirmar que “o pai está preso”, em referência a Jair Bolsonaro, Knoploch retirou um spray de pimenta do bolso e o disparou contra pessoas que estavam na calçada. Segundo a representação, o produto atingiu militantes e pessoas próximas, incluindo Maria de Lourdes do Carmo.
Na sequência, Knoploch exibiu uma arma de fogo que carregava sob a camiseta. A Polícia Militar foi acionada e o episódio foi registrado na 19ª Delegacia de Polícia.
Knoploch apresentou outra versão para o caso. O deputado afirmou que foi ameaçado por integrantes da campanha adversária depois de reclamar de uma música que considerava ofensiva. Ele reconheceu ter utilizado o spray de pimenta e afirmou que o fez por se sentir ameaçado.
Veja o que disse Knoploch em matéria anterior
Knoploch apresentou uma versão diferente para o episódio. Segundo ele, durante uma agenda na Tijuca, uma mulher o questionou sobre uma música com palavras de baixo calão que estaria sendo tocada pela equipe de Serafini. O deputado afirmou que, após dizer que a execução seria ilegal, seis pessoas saíram do comitê e o ameaçaram.
Knoploch diz que registrou ocorrência e que pretendia denunciar o caso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), alegando uso de palavras de baixo calão em logradouro público. Ele foi procurado novamente para falar sobre a manifestação do MPF, mas não retornou. O espaço segue aberto.



