Michelle deve confirmar candidatura ao Senado em evento com Flávio

0
1


Por Carolina Linhares

(Folhapress) – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) deve confirmar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal em convenção do partido marcada para domingo (2), às 17h. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é esperado no evento.

Aliados da ex-primeira-dama dizem que ela ainda não decidiu de vez se será candidata e que deve bater o martelo apenas no domingo –a tendência, porém, é que ela aceite disputar a eleição.

Após a recente conciliação entre o presidenciável e sua madrasta, esse deve ser o primeiro evento eleitoral em que os membros do clã Bolsonaro vão dividir o palanque. De acordo com integrantes da equipe de Flávio, a convenção do PL-DF está prevista em sua agenda até agora.

Na convenção nacional do último sábado (25), Flávio mencionou Michelle em seu discurso, e a ex-primeira-dama enviou um vídeo para ser exibido no evento em São Paulo. Ela disse que não poderia participar presencialmente porque isso demandaria muitas horas longe de Jair Bolsonaro (PL).

Dirigentes do PL dizem esperar que Michelle entre na campanha de Flávio –e, no vídeo em que aceita as desculpas públicas do enteado, ela fala em sentar e conversar com o presidenciável. Esse encontro, porém, não foi marcado, segundo interlocutores de ambos.

A ex-primeira-dama vinha declarando que sua decisão de concorrer ou não dependia da saúde do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de estado e depende dos cuidados da mulher. Aliados de Michelle, no entanto, afirmam que ela optou por disputar o Senado, seguindo o plano eleitoral traçado pelo marido.

Um dos irmãos de Michelle, Diego Torres Dourado (PL), que foi assessor do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve ocupar a vaga de primeiro suplente na chapa. O posto de segundo suplente ainda depende de tratativas.

A ex-primeira-dama também vai lançar outro irmão, Eduardo Torres (PL), na política –ele vai concorrer a deputado distrital no DF. Eduardo dividia com Michelle as tarefas relacionadas a Bolsonaro, inclusive entregando marmitas ao ex-presidente durante o período de prisão na Papudinha.

No regime de prisão domiciliar, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes não autorizou que Eduardo frequente a casa da irmã e atue como cuidador de Bolsonaro.

A composição do PL-DF para a eleição, sob influência de Michelle, traz uma série de aliados da ex-primeira-dama. É o caso da deputada federal Bia Kicis, que também vai concorrer ao Senado, já que cada unidade da federação vai eleger dois representantes neste ano.

Michelle também trabalhou para que o partido apoiasse a reeleição da amiga Celina Leão (PP) ao Governo do DF em vez de lançar o senador Izalci Lucas (PL-DF), que ficou sem espaço na chapa e vai concorrer a deputado federal.

O grupo de Michelle apoia ainda o deputado distrital Thiago Manzoni, que vai concorrer a deputado federal e é bispo da igreja IDE Brasília.

Desde a trégua entre Michelle e Flávio, a ex-primeira-dama também passou a ser cogitada como candidata a vice-presidente na chapa do enteado, algo que aliados de ambos descartam a princípio. Isolado, sem o apoio de partidos do centrão, o senador caminha para formar uma chapa pura do PL, mas seus articuladores ainda cogitam uma coligação de última hora com algum partido que indicaria o vice.

Flávio busca uma vice mulher para tentar reverter sua rejeição nesse público. Nesse ponto, a briga com Michelle, escancarada pela ex-primeira-dama em vídeos publicados em junho, o prejudicava ainda mais.

Além de ser uma aliada estratégica para a campanha de Flávio entre as mulheres, Michelle também é uma ponte com o segmento evangélico e, como presidente do PL Mulher, espalhou aliadas do partido pelo país e pode entregar capilaridade ao senador.

As pazes foram articuladas durante semanas pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e por amigas de Michelle, como Celina e Damares Alves (Republicanos-DF), seguindo o diagnóstico de que o racha no clã fragilizava o desempenho eleitoral do enteado e da madrasta, atrapalhava o planejamento eleitoral do PL, limitava a mobilização da direita e dava argumento a outros partidos para evitar uma aliança com Flávio.

Nesta sexta (31), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reuniu-se com Michelle para tratar da eventual candidatura e afirmou que ela deve ir à convenção, mas que conversará com Bolsonaro sobre o tema. “Ela falou que vai resolver com o marido dela. Então, ela vai decidir isso provavelmente até domingo. Quem vai decidir é o Bolsonaro se ela sai de candidata ou não”, disse Valdemar.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui