Mercados globais operam sob pressão com risco de paralisação

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Os mercados globais operam com viés negativo nesta terça-feira (30), diante do risco iminente de paralisação do governo dos Estados Unidos a partir de amanhã (1º). As negociações entre republicanos e democratas não avançaram, e o vice-presidente JD Vance afirmou que o país “está a caminho de um shutdown”.

Embora paralisações anteriores tenham tido impacto limitado sobre os mercados, analistas alertam que o contexto atual — marcado por sinais de estagflação, desaceleração no mercado de trabalho e valuations elevados — pode aumentar a sensibilidade dos ativos ao impasse fiscal.

A agenda norte-americana traz indicadores e falas de membros do Federal Reserve, o banco central estadunidense, que podem adicionar volatilidade. O destaque do dia é o relatório Jolts de agosto, às 11h, medindo a demanda por mão de obra.

No Brasil, o mercado repercute a criação de vagas formais em agosto (147 mil, pior resultado para o mês desde 2020) e aguarda a taxa de desemprego, prevista para as 9h. Ainda hoje, serão divulgados o resultado primário, os dados da dívida pública e o balanço orçamentário de agosto.

Brasil

Ibovespa iniciou a semana, na segunda-feira (29), com mais um pregão histórico: apesar de fechar com alta moderada de 0,61%, aos 146.336 pontos — o segundo maior encerramento da história —, o índice renovou sua máxima intradiária ao atingir 147.558 pontos no início da tarde, superando o recorde anterior do dia 23 de setembro.

O desempenho foi impulsionado por otimismo político e sinais positivos da economia. A expectativa em torno de um possível encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump reacendeu projeções de alívio tarifário entre Brasil e EUA. O JPMorgan avalia que a aproximação pode abrir espaço para revisão de barreiras comerciais.

No câmbio, o dólar comercial recuou 0,31%, cotado a R$ 5,32, em queda pela segunda sessão consecutiva. Já os juros futuros avançaram em toda a curva, refletindo cautela fiscal e projeções mistas sobre a trajetória da Selic.

Europa

As bolsas europeias operam em queda, com os investidores monitorando novos anúncios de tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, e no risco de paralisação do governo estadunidense.

STOXX 600: -0,28%
DAX (Alemanha): -0,19%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,28%
CAC 40 (França): -0,52%
FTSE MIB (Itália): -0,40%

Estados Unidos

Os índices futuros recuam hoje, com os agentes acompanhando os desdobramentos dos novos anúncios tarifários, incluindo sobretaxa de 10% sobre madeira bruta e madeira serrada, e de 25% sobre armários de cozinha, gabinetes de banheiro e móveis estofados. O risco de paralisação do governo estadunidense também está no radar.

Dow Jones Futuro: -0,22%
S&P 500 Futuro: -0,19%
Nasdaq Futuro: -0,21%

Ásia

Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam de forma mista, pressionados pela continuidade da desaceleração industrial na China, com o PMI oficial marcando 49,8 em setembro. Apesar disso, o índice privado da RatingDog surpreendeu positivamente, atingindo 51,2, o maior nível desde maio. O contraste entre os dados reforça a incerteza sobre a recuperação chinesa. Na Austrália, o banco central manteve os juros em 3,6%, diante da inflação ainda elevada.

Shanghai SE (China), +0,52%
Nikkei (Japão): -0,25%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,87%
Nifty 50 (Índia): +0,03%
ASX 200 (Austrália): -0,16%

Petróleo

Os preços do petróleo operavam em baixa, ampliando as fortes perdas da véspera, com a previsão de outro aumento de produção pela Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo mais aliados) e a retomada das exportações de petróleo do Curdistão reforçando a perspectiva de um iminente excedente de oferta.

Petróleo WTI, -1,15%, a US$ 62,72 o barril
Petróleo Brent, -1,16%, a US$ 67,18 o barril

Agenda

Nos Estados Unidos, são aguardados discursos de membros do Federal Reserve e o primeiro relatório de emprego, o Jolts de agosto.

Por aqui, no Brasil, o governo central fechou agosto com déficit primário de R$ 15,6 bilhões, informou o Tesouro Nacional. No acumulado de 12 meses, o rombo é de R$ 26,6 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto), dentro da margem da meta fiscal. No ano, o saldo negativo já chega a R$ 86 bilhões, pressionado principalmente pela Previdência Social.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg





Fonte: ICL

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