Master ofertou ao BRB créditos ligados a auxílio social e gestora de cemitérios, diz jornal

0
11


A tentativa de reequilibrar as contas do Banco de Brasília (BRB) após a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master revelou um conjunto de ativos considerados problemáticos por órgãos de controle. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, documentos indicam que, após a identificação de fraudes nas carteiras originais, o banco público do Distrito Federal recebeu novas ofertas compostas por créditos de origem duvidosa.

A operação envolveu ativos que tinham como donos pessoas beneficiárias do auxílio emergencial durante a pandemia de Covid-19, empresas com capital social de R$ 150 a R$ 1.000 e um consórcio responsável pela gestão de cemitérios em São Paulo.

As informações foram comunicadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em novembro do ano passado, no mesmo dia em que o Banco Central do Brasil anunciou a liquidação do Master, então controlado por Daniel Vorcaro.

Um relatório de inteligência financeira (RIF) com 33 páginas aponta indícios de irregularidades em direitos creditórios que somam R$ 6,6 bilhões. Segundo o Coaf, os ativos ofertados ao BRB apresentam inconsistências relevantes, levantando suspeitas sobre sua validade e lastro financeiro.

Paralelamente, investigação da Polícia Federal indica que o Master teria fabricado carteiras de crédito consignado vendidas ao BRB por R$ 12,2 bilhões. Após questionamentos do Banco Central, houve tentativa de substituição desses ativos — medida considerada insuficiente pela autoridade monetária.

O BRB foi então obrigado a provisionar ao menos R$ 5 bilhões para cobrir perdas potenciais, valor que pode aumentar diante da baixa qualidade dos créditos recebidos.

Beneficiários de auxílio e empresas de fachada

Um dos pontos mais sensíveis do relatório envolve carteiras originadas de empresas cujos sócios ou administradores receberam auxílio emergencial durante a pandemia. Ao todo, quatro carteiras somam R$ 768,3 milhões.

Entre os nomes citados está Everton Mendonça Pereira, associado a diversas empresas responsáveis pela geração de créditos posteriormente repassados ao Master. Dados oficiais indicam que ele recebeu R$ 7,2 mil em auxílio emergencial entre 2020 e 2022. Outro nome recorrente é Natan Aparecido Barros, também beneficiário do programa.

Além disso, o relatório aponta operações envolvendo empresas com capital social extremamente baixo — em alguns casos, de apenas R$ 150 — movimentando centenas de milhões de reais em direitos creditórios.

Outro ativo, no valor de R$ 118,2 milhões, envolve o grupo Cemitérios e Crematórios SP, uma concessionária de serviços de administração de cemitérios na cidade de São Paulo —a gestão de Ricardo Nunes (MDB) privatizou esses serviços.

Ativos de baixa qualidade e operações diversas

As carteiras oferecidas incluíam ativos considerados de baixa liquidez, como créditos inadimplentes, participações acionárias desvalorizadas e imóveis. Também aparecem operações com valores elevados envolvendo setores diversos, incluindo concessões de serviços funerários na cidade de São Paulo.

Nesse contexto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, solicitou esclarecimentos sobre possíveis vínculos entre concessionárias e o Banco Master.

Tentativas de reestruturação

Como parte dos esforços para mitigar os impactos financeiros, o BRB anunciou recentemente a transferência de R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Master para um fundo gerido pela Quadra Capital. A medida representa mais uma tentativa de reorganizar o balanço da instituição.

Apesar disso, a extensão das perdas e a qualidade dos ativos seguem sob escrutínio de autoridades e órgãos de controle, enquanto o caso levanta questionamentos sobre governança, fiscalização e os riscos assumidos em operações bilionárias no sistema financeiro.

Procuradas pela reportagem da Folha, as defesas de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, e do Banco de Brasília, cujo maior acionista é o governo de Brasília, não comentaram o caso. Já a Prefeitura de São Paulo disse que serviços funerários funcionam sem problema.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui