Malafaia controla entidade que atacou investigação sobre ele

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Por Igor Mello 

A entidade evangélica que emitiu nota neste domingo (17) condenando a inclusão do pastor Silas Malafaia em um inquérito da PF (Polícia Federal) foi fundada e é controlada até hoje por ele mesmo.

Em nota assinada por 26 pastores, o Cimeb (Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos) afirma que “não podemos aceitar tamanha perseguição, que ultrapassa o âmbito político e atinge também a esfera religiosa “.

Malafaia foi incluído pela PF no inquérito que investiga a obstrução do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além do próprio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) –seu filho e deputado federal licenciado– também figura como investigado.

A PF investiga o papel dos três na articulação para que os ministros do STF sejam pressionados a não condenar Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado em 2022. O apoio explícito do pastor ao autogolpe de Bolsonaro foi detalhado em Império Malafaia, primeira temporada de No Alvo, o podcast investigativo do ICL.

A Cimeb foi fundada em 2001 e é presidida por Malafaia. Documentos mostram que os contatos da instituição junto à Receita Federal são da Editora Central Gospel, empresa de Silas Malafaia. O endereço fica na Taquara, Zona Oeste do Rio de Janeiro –onde funcionam as empresas do pastor e a Avec (Associação Vitória em Cristo), braço beneficente da igreja dele.

Cimeb Receita Federal

Documento da Cimeb traz email e endereço de empresa de Malafaia

 

Nota foi assinada por amigos de Malafaia

Entre os 26 pastores que assinaram a nota há amigos de longa data de Malafaia no mundo evangélico.

É o caso do pastor Claudio Duarte, líder do Ministério Projeto Recomeçar, localizado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele é figura frequente em eventos organizados por Malafaia. Duarte também é um dos principais autores publicados pela Central Gospel, editora de Malafaia.

Outro amigo de Malafaia é o conferencista Jabes Alencar.

Mais um caso é o do pastor Michael Aboud, líder da Igreja Embaixada do Reino de Deus, de Santa Catarina.  Os dois figuram juntos nas investigações da Operação Timóteo, na qual Malafaia foi indiciado por lavagem de dinheiro, em 2016.

Obstrução da Justiça

A inclusão de Malafaia no inquérito foi revelada pelo portal G1, na semana passada. A PF investiga os crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Malafaia entrou na mira das autoridades após organizar mais uma manifestação bolsonarista, em 3 de agosto. Foi deste ato que Bolsonaro participou por videochamada, fato que resultou na decretação de sua prisão domiciliar.

Na visão dos investigadores,  o ato foi mais um capítulo da pressão contra os ministros do STF para que Bolsonaro não seja condenado pela tentativa de golpe de Estado em 2022.

Um dos pontos centrais da trama é a articulação que Eduardo Bolsonaro faz nos Estados Unidos junto ao governo Trump. O deputado reivindicou para si a aplicação de tarifas comerciais de 50% contra as exportações brasileiras e as sanções contra autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo contra seu pai no STF (Supremo Tribunal Federal).

 





Fonte: ICL

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