Encerrado o telejornal ‘Jornal Nacional’ do sábado, 24 de outubro, véspera da eleição, dois velhos amigos de 80 anos se falaram ao telefone em São Paulo.
– Genoíno? Tudo bem? Te vi lá de cima…
– E aí, meu? Eu vi que você e a Janja me viram. Entendi, pelo gesto, que me ligaria. Estava esperando. Vamos ganhar?
– Vou ganhar essa eleição – respondeu um Lula firme, positivo, seguro. Do outro lado da linha, o ex-deputado José Genoíno Neto, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (2003-2005), conservou o silêncio para deixá-lo desenvolver o raciocínio. Os quase 50 anos de amizade assentaram os códigos de conversa. O presidente da República, até ali candidato à reeleição, prosseguiu: – É o destino. Vou ganhar essa eleição e vou mudar esse país. Acho que demorei muito a perceber algumas coisas que só vi claramente no meio dessa campanha. Vou governar diferente.
Iam conversando e driblando os temas mais quentes do noticiário daquela noite. Um não sabia se o outro tinha assistido aos telejornais e os dois são duas raposas felpudas e céticas da política – não queriam comentar pesquisas pré-eleitorais e nem o pronunciamento vacilão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kássio Nunes Marques.
– Você percebeu que eu não quis subir nos palanques, não percebeu? Não quero fazer política de cúpula, campanha de cúpula – redarguiu Genoíno.
– Percebi. Essa meninada nas ruas me emociona. Essa campanha de segundo turno foi totalmente diferente de tudo. Era para ter sido assim desde o começo – disse o presidente.
– O PT só vai mudar de fora para dentro. A esquerda só vai mudar de fora para dentro. Lula, o governo foi muito fechado. Foi muito vertical. Não ouviu os movimentos sociais, o ‘cupulismo’ não oxigenou o partido. Você sabe a minha opinião, desde sempre. Gosto muito de ver o Camilo atuando como está atuando, o Rafael… esse menino é demais – seguiu o experiente ex-guerrilheiro do PCdoB no Araguaia, deputado constituinte pelo PT em 1987/88, ícone da esquerda brasileira com seu jeito ao mesmo tempo agudo, direto e doce de falar.
– São fantásticos. Eles mudaram a campanha, junto com Janones – assentiu o homem que no dia seguinte seria reeleito com 64,3 milhões de votos e cumpriria uma trajetória inédita na história das eleições brasileiras.
– Janones conseguiu conectar essa história de redes sociais, de whatsapp, com as ruas. Com os jovens. Nunca vi isso, Lula. A gente não sabe fazer isso – concordou Genoíno.
– Não sabemos. Isso mudou a campanha. Hoje de tarde na Paulista, depois do tamanho do que houve no Rio, em Copacabana, tive certeza da vitória. E sei a minha responsabilidade com essa juventude e com a nossa turma, os velhinhos. Vou fazer uma revolução no governo. E será rápido.
– À vitória, companheiro. Estamos juntos, sempre.
– À vitória, amigo. Tenho certeza! – pronunciou Lula, animadíssimo, antes de desligar.
Horas antes de as urnas serem abertas para receberem os votos de 195 milhões de brasileiros aptos a vota no último domingo, o ex-sindicalista que disputava a presidência da República pela sétima vez encheu de energia o ex-parlamentar que abandonou a luta pelo voto em si por opção própria e filosofia de vida.
Reeleito no domingo, tendo feito dois memoráveis discursos em São Paulo, um no hotel onde acompanhou a reta final da apuração e o outro no palanque improvisado da Avenida Paulista, onde uma multidão o aguardava até tarde da noite para celebrar a vitória de colorido épico, Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu à juventude e ao empenho dos idosos no esforço colossal de reduzir a abstenção no pleito e a vitória. Agradeceu às mulheres e, por isso, sugeriu o “beijaço” nas esposas, namoradas, namorados, companheiras e companheiros iniciando-se por ele e Janja, Lu e Geraldo Alckmin. Agradeceu pungentemente a seu vice-presidente e deu a ele lugar de fala.
Em seguida, chamou o deputado André Janones diante de si, bateu continência para o general de sua tropa num gesto de reconhecimento inédito para alguém de fora dos escalões partidários do Partido dos Trabalhadores, e pediu para tocarem o Hino da Independência. Lula não explicitou aquilo na Paulista, mas os acordes do hino sendo executados envolvendo sua efígie de punho cerrado e braço levantado era uma homenagem merecida a Leonel Brizola (que foi candidato a vice na chapa dele em 1998 depois de terem sido adversários em 1989).
O nacionalismo maduro do ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro ecoou na firmeza nacionalista do Lula de 2026. Encerrado o Hino da Independência, o presidente reeleito para o quarto mandato chamou o senador Camilo Santana (PT-CE), e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), reconduzido ao cargo por mais de 70% dos votos do estado no primeiro turno, e se debulhou em elogios aos dois.
MOVIMENTOS DO FIM DE SEMANA DÃO PISTAS DO FUTURO
Camilo Santana e Rafael Fonteles haviam sido definitivamente guindados à cúpula do PT, para arejá-la. De lá, o presidente pretende que não sejam retirados nem se sintam pouco à vontade a ponto de sair. O ex-governador cearense tem quatro anos ainda no Senado e não deve voltar ao Ministério da Educação. No curso desses últimos sete meses construiu imensa afinidade e sintonia com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior (que, por sinal, é extremamente bem avaliada pelo presidente). Camilo pode ocupar a pasta que foi do senador eleito Rui Costa (PT-BA) entre janeiro de 2023 e abril desse ano e Miriam caberia com tranquilidade na chefia-de-gabinete do terceiro andar do Palácio do Planalto.
As especulações que põe o piauiense Fonteles no Ministério da Fazenda não fazem sentido para Lula. O presidente respeita como poucos políticos em atividade o valor e a dimensão do voto popular – e ele não imagina um governador reeleito com ias de 70% da preferência dos eleitores de seu estado largar mão do mandato e se mudar para Brasília. Porém, o líder petista advertiu Fonteles de que ele não poderá mais ficar recluso ao Piauí e o quer nas articulações nacionais – tanto do PT quanto do grupo de governadores do Nordeste e nos foros de gestores de todo o país.
André Janones tem vários destinos possíveis na Esplanada do quarto mandato presidencial de Lula. Nesta terça-feira, 27 de outubro, durante reunião da bancada do PT na Câmara, uma ala partidária vai propor que o “general” do “Exército de Lula” se filie à sigla. Uma vasta maioria da bancada petista parece ver com bons olhos a filiação. Porém, petistas mais experientes, creem ser necessário que ele passe por uma espécie de estágio probatório por diversas instâncias partidárias.
“O PT é excessivamente burocratizado e engessado internamente. Janones conseguiu revolucionar a campanha de segundo turno em curtas três semanas porque não respondia a ninguém – fazia tudo da cabeça dele”, alega, com propriedade, um velho integrante do partido do presidente. “Nossas engrenagens antigas e enferrujadas podem fazer mal ao frescor e à agilidade do Janones”. Mesmo sem precisar trocar seu Avante pelo PT, o “general” do fabuloso exército de ação nas redes sociais e na internet é lembrado para ocupar a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, a Secom/PR, onde despacha o publicitário baiano Sidônio Palmeira.
O vice-presidente Geraldo Alckmin deverá voltar a ocupar um ministério na Esplanada. Dificilmente, retorna ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. As pastas da Fazenda ou do Planejamento não estão descartadas para ele. Contudo, o presidente Lula foi lembrado que turbulências econômicas, às vezes, independem da qualidade dos ministros e os tragam e derrubam em meio a tempestades. Além disso, o desempenho de Dario Durigan na Fazenda é considerado mais que satisfatório no Planalto e no Palácio da Alvorada. Por isso, especulações em torno do nome de Alckmin na Fazenda são, ainda, especulações.




Khi tìm hiểu 23Win, mình thường chú ý đến giao diện và cách sắp xếp các danh mục trò chơi. Thông tin được trình bày rõ ràng sẽ giúp người dùng dễ theo dõi hơn. Các chương trình khuyến mãi cần được kiểm tra kỹ về điều kiện và thời hạn áp dụng. Nhờ vậy, người dùng có thể chủ động tìm hiểu quyền lợi của mình.