O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (27) que a Petrobras deve divulgar “em pouco tempo” os resultados das análises sobre a existência de petróleo na Margem Equatorial, região considerada estratégica para a expansão da produção de óleo e gás no Brasil.
Durante entrevista ao Jornal da Amazônia 1ª Edição, da Rede Amazônica, Lula declarou que os estudos técnicos necessários já foram concluídos e que o governo aguarda agora a avaliação final da estatal sobre o potencial econômico da área. “Eu penso que falta pouco tempo a Petrobras anunciar se tem ou não o petróleo que a gente imagina que tem”, afirmou o presidente.
A Margem Equatorial se estende por mais de 2,2 mil quilômetros entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, abrangendo áreas como as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. O governo e o setor de energia consideram a região uma das principais apostas para manter o crescimento da produção brasileira de petróleo nas próximas décadas.
O principal foco das discussões está na Bacia da Foz do Amazonas, onde a Petrobras recebeu autorização ambiental para perfurar um poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado em águas profundas próximas ao litoral do Amapá. A operação busca verificar a existência de reservas comercialmente viáveis de petróleo e gás natural.
O interesse pela região aumentou após as descobertas de grandes reservas na Guiana, país vizinho que passou por forte crescimento econômico impulsionado pela exploração petrolífera desde 2015. Empresas como ExxonMobil e Chevron ampliaram investimentos na área.
Lula voltou a defender a exploração da Margem Equatorial, mas afirmou que o processo deve ocorrer com responsabilidade ambiental. “Nós temos, obviamente, que ter muita responsabilidade de extrair petróleo lá, mas nós temos uma vantagem que é a expertise da Petrobras”, disse.
Segundo o presidente, uma eventual descoberta relevante pode impulsionar o desenvolvimento econômico da região Norte. “Vai ser muito bom para desenvolver a região Norte, vai ser muito bom para desenvolver a região do Amapá”, declarou.
Além do petróleo, Lula também defendeu o avanço das pesquisas sobre minerais críticos, terras raras e potássio na Amazônia. O presidente relacionou o tema à disputa global por recursos estratégicos ligados ao avanço da inteligência artificial. “O que se fala no mundo é o seguinte: é inteligência artificial e terras raras”, afirmou.
A exploração na Margem Equatorial enfrenta resistência de ambientalistas, que alertam para possíveis impactos sobre ecossistemas sensíveis da região amazônica, como manguezais e recifes. Mesmo assim, a Petrobras prevê investimentos de cerca de US$ 3 bilhões na área entre 2025 e 2029, incluindo novos poços exploratórios.



