Israel mantém brasileiros integrantes da Flotilha incomunicáveis e não permite acesso de diplomatas ao grupo

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O grupo de brasileiros que integrava a Flotilha Global Sumud, que levava ajuda humanitária e tentava romper o cerco de Israel a Gaza, segue incomunicável e sem apoio diplomático mais de 24 horas depois de terem sido sequestrados pelo exército de Israel. O corpo diplomático brasileiro tentou duas vezes ter acesso aos 12 integrantes da delegação brasileira que tiveram a prisão confirmada por Israel, no porto Ashdod, mas o acesso foi negado.

Israel alega que o acesso aos ativistas foi proibido por conta do feriado de Yom Kippur, que impediria as atividades regulares dos órgãos estatais. A embaixada brasileira no país informou que vai entrar em contato com o grupo detido nesta sexta-feira (3).

“Nós tivemos a informação de advogados de que estavam em curso interrogatórios. Informei isso ao Itamaraty. Eles entraram em contato para tentar novamente, mas receberam a negativa de encontro com os brasileiros”, disse Lara Souza, coordenadora da delegação brasileira na flotilha e esposa do ativista Thiago Ávila, que também está incomunicável.

“Não foi permitido a ele [Ávila] contato com a embaixada brasileira. Nem a ele, nem a nenhum dos demais brasileiros”, completou.

Outros dois brasileiros que também integravam a Flotilha não tiveram a prisão confirmada por Israel e são considerados desaparecidos: João Aguiar, que estava a bordo do barco Mikeno, e Miguel de Castro, a bordo do Catalina.

Na noite desta quinta-feira (2), o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota cobrando a libertação imediata dos brasileiros sequestrados após interceptação da Flotilha por militares israelenses em águas internacionais.

“O Brasil exorta o governo israelense a liberar imediatamente os cidadãos brasileiros e demais defensores de direitos humanos detidos”, diz o comunicado. O governo exige ainda a permissão de visitas de integrantes da Embaixada do Brasil em Tel Aviv aos ativistas brasileiros detidos ilegalmente.

A Flotilha Global Sumud é formada por mais de 50 embarcações, que transportam ajuda humanitária para os palestinos na Faixa de Gaza. O grupo é composto por 443 voluntários de 47 países.

Segundo o Itamaraty, a diplomacia israelense já foi notificada da discordância brasileira com a ação, que considera a interceptação em águas internacionais um desrespeito ao direito internacional de liberdade de navegação, previsto em convenção das Nações Unidas, além da “detenção ilegal de ativistas pacíficos”.

“Operações de caráter estritamente humanitário devem ser autorizadas e facilitadas por todas as partes em conflito, não podendo ser arbitrariamente obstadas ou consideradas ilícitas. O Brasil conclama a comunidade internacional a exigir de Israel a cessação do bloqueio à Gaza, por constituir grave violação ao direito internacional humanitário”, informa.

O Brasil defende ainda que Israel seja “responsabilizado por quaisquer atos ilegais e violentos cometidos contra a Flotilha e contra os ativistas pacíficos que dela participam e deverá assegurar sua segurança, o bem-estar e integridade física enquanto permanecerem sob a custódia de autoridades israelenses”.

*com informações da Agência Brasil.



Fonte:Brasil de Fato

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