Isael Munduruku: da floresta à periferia de Manaus, a disputa pelo Governo do Amazonas

0
29
MARCIO BENCHIMOL

Da floresta à periferia de Manaus, a história de um amazonense que decidiu disputar o direito de governar a própria terra

Advogado, liderança indígena, um dos fundadores do Parque das Tribos, Isael Munduruku chega à disputa pelo Governo do Amazonas com uma trajetória construída na defesa dos povos originários, das populações menos favorecidas e de um Estado mais integrado, sustentável e socialmente justo.

Isael Franklin Gonçalves, conhecido como Isael Munduruku, tem 48 anos e carrega uma história profundamente ligada ao Amazonas. Nascido em Manaus, filho de uma mulher indígena e de um caboclo ribeirinho, foi criado no interior do município de Borba, na região da Terra Indígena Kwatá-Laranjal. Foi nesse ambiente, próximo aos rios, à floresta e às comunidades tradicionais, que consolidou parte importante de sua identidade e de sua relação com o povo Munduruku.

Ainda jovem, retornou a Manaus em busca de trabalho e de melhores condições para contribuir com o sustento da família. Formou-se em Direito, especializou-se em Direito Civil e Processo Civil e passou a utilizar a advocacia também como instrumento de defesa de direitos. Ao longo de sua trajetória, presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas e atuou em iniciativas voltadas à garantia dos direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.

Um dos marcos de sua caminhada foi a participação na fundação e na consolidação do Parque das Tribos, em Manaus, uma das principais referências de comunidade indígena urbana do país. O território reúne famílias de diferentes povos e tornou-se símbolo de resistência, organização comunitária e afirmação da presença indígena na capital amazonense.

Na vida pessoal, Isael é marido, pai de quatro filhos e avô. Sua atual esposa, Danielle Baré, também é advogada, indígena do povo Baré e natural de São Gabriel da Cachoeira. Com ela, tem três filhas. Isael também é pai de um filho de seu primeiro casamento, marcado pela perda precoce da primeira esposa em um acidente de trânsito.

Agora, como candidato ao Governo do Amazonas pela Rede Sustentabilidade, Isael procura deixar claro que sua participação no processo eleitoral não pode ser reduzida ao simbolismo de uma candidatura indígena. Para ele, sua presença na disputa representa uma candidatura com projeto político, experiência de vida e capacidade para discutir os principais problemas do Estado.

Eu não vim para entreter neste momento político. A minha candidatura não é caricata e muito menos folclórica. Eu sou filho desta terra, sou Munduruku e estou preparado para discutir o Amazonas e governar o nosso Estado”, afirmou.

Isael também defende que sua origem indígena não o restringe às pautas relacionadas exclusivamente aos povos originários. Sua candidatura pretende dialogar com toda a sociedade amazonense, apresentando propostas para áreas como saúde, educação, segurança pública, geração de emprego e renda, desenvolvimento econômico, proteção ambiental e redução das desigualdades sociais.

Entre suas principais bandeiras estão ainda o fortalecimento da Zona Franca de Manaus, a valorização das populações do interior e uma maior integração regional do Amazonas. Nesse contexto, defende a recuperação e o asfaltamento integral da BR-319, considerando a rodovia estratégica para reduzir o isolamento terrestre do Estado, melhorar a logística, ampliar oportunidades econômicas e fortalecer a ligação do Amazonas com o restante do país.

Pertencente a um dos povos indígenas mais numerosos e politicamente ativos da Amazônia, Isael apresenta sua candidatura também como um marco de representatividade. Ele defende que os povos originários não sejam vistos apenas como parte da história ou da identidade cultural do se Amazonas, mas também como sujeitos capazes de ocupar os principais espaços de decisão política.

Para Isael, chegou o momento de essa representatividade alcançar também o comando do Estado.

Está na hora de um descendente dos povos originários ter a oportunidade de governar a própria terra”, finalizou. 

Fotos: Rede Sustentabilidade/Marcio Benchimol.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui