Irã anuncia novo fechamento do Estreito de Ormuz após ataques de Israel ao Líbano

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O comando militar do Irã afirmou neste sábado (20) ter fechado novamente o Estreito de Ormuz ao tráfego de embarcações. O Irã afirma ter havido violação do acordo de cessar-fogo pelos EUA e Israel. A informação é da agência estatal de notícias iraniana Mehr.

Poucas horas antes, ataques aéreos israelenses mataram 16 pessoas no Líbano, segundo a defesa civil do país. As hostilidades aconteceram após a entrada em vigor de um novo acordo de cessar-fogo que prevê o fim das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano.

Segundo o comunicado, o fechamento foi o “primeiro passo” em resposta ao que descreveu como descumprimento de compromissos e alertou que novas medidas seriam tomadas caso a agressão continuasse.

O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, porém, afirmou em entrevista à Fox News nesta manhã que não há evidências de que o tráfego em Ormuz tenha sido interrompido pelo Irã.

Israel afirma que as ações militares foram uma resposta a ataques do Hezbollah, que teria lançado foguetes contra seu território. O grupo apoiado pelo Irã, por sua vez, diz estar comprometido com a trégua, mas afirma que reagirá a qualquer tentativa israelense de manter controle sobre áreas do Líbano.

Em comunicado, o Hezbollah informou ter atacado tropas israelenses que avançavam em direção a Nabatieh, no sul do país. Segundo autoridades militares israelenses, mais de 50 projéteis foram disparados pelo grupo durante a noite. O Hezbollah sustenta que não aceitará a livre movimentação de forças israelenses em território libanês.

Israel declarou continuar comprometido com o cessar-fogo, mas afirmou que responderá a qualquer ameaça à sua segurança.

De acordo com a agência estatal libanesa NNA, aviões e drones israelenses atingiram localidades no sul do Líbano e no vale do Bekaa, regiões consideradas redutos do Hezbollah. Um dos ataques mais graves atingiu um prédio residencial em Barish, matando um casal e seus dois filhos. O Exército libanês informou ainda que um soldado morreu em um ataque na estrada entre Kfarrumman e Nabatieh.

Uma porta-voz das Forças Armadas israelenses afirmou que a estabilidade na região depende do fim das atividades hostis do Hezbollah. Segundo ela, a presença militar israelense no Líbano tem como objetivo desmantelar a estrutura do grupo e não atingir civis.

O Ministério da Saúde do Líbano contabiliza 3.912 mortos em ataques israelenses desde 2 de março, incluindo mulheres, crianças e equipes de resgate. Israel informa ter registrado a morte de quatro civis e 32 soldados no mesmo período.

Carro com a bandeira do Irã na vila de Siddqin, no sul do Líbano - Kawnat Haju - 15.jun.26/AFP
Carro com a bandeira do Irã na vila de Siddqin, no sul do Líbano – Kawnat Haju – 15.jun.26/AFP
Cessar-fogo

O cessar-fogo entre Israel e Hezbollah integra um acordo provisório firmado nesta semana entre Estados Unidos e Irã. O pacto prevê a suspensão das hostilidades por parte dos países envolvidos e de seus aliados. Israel, contudo, declarou não participar do acordo e afirma que manterá a ocupação de cerca de 5% do território libanês.

Com duração inicial de 60 dias, o entendimento busca criar condições para novas negociações entre Washington e Teerã. Entre os objetivos estão a retomada das operações no estreito de Hormuz e a redução das tensões que afetam o mercado global de petróleo. A mediação tem participação de Paquistão e Qatar.

Segundo estimativas citadas pelas partes envolvidas, o conflito já deixou ao menos 8 mil mortos, principalmente no Irã e no Líbano, além de provocar impactos nos preços internacionais da energia.





ICL Notícias

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