Disputa na Família Real vai à Justiça após príncipe ser impedido de entrar em palácio em Petrópolis

1
3


Uma briga entre os herdeiros da Família Real do Brasil ganhou novos capítulos nos útlimos dias. O príncipe Dom Pedro Tiago de Orléans e Bragança relata ter sido retirado do Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, e precisou acionar a Justiça para voltar a acessar o endereço.

A ré no caso é a Companhia Imobiliária de Petrópolis, que tem três Orleáns e Bragança — o pai e os tios de Pedro Tiago — no quadro societário. O caso ocorreu no último dia 9. A informação foi dada inicialmente pelo jornal O Globo.

Dom Pedro Tiago, de 47 anos, afirma que saiu do imóvel para se exercitar e, ao retornar, foi impedido de entrar por seguranças que se apresentavam como representantes da companhia responsável pela administração do local. Segundo o processo, ele conseguiu acessar o palácio por outro caminho, mas permaneceu isolado no interior da propriedade, temendo por sua segurança. Ainda de acordo com os autos, a Polícia Militar foi acionada pelos seguranças.

O príncipe também alega que bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas contra ele. Marcas encontradas no chão teriam sido anexadas ao processo como indícios do ocorrido. A confusão terminou na delegacia. No dia seguinte, acompanhado de advogados, Dom Pedro Tiago voltou ao imóvel, mas não conseguiu entrar porque as fechaduras haviam sido trocadas.

Em nota ao jornal O Globo, a Polícia Militar informou que agentes do 26º BPM (Petrópolis) foram acionados no último dia 9 para atender uma ocorrência de invasão de residência. Segundo a corporação, o homem apontado como invasor resistiu à ordem para deixar o local e, por isso, foram utilizados instrumentos de menor potencial ofensivo para realizar a contenção. O caso foi registrado na 105ª DP (Petrópolis).

Os advogados Fabrizio Bon Vechio e Francisco Rudnick Martins de Barros recorreram à Justiça. No último dia 12, o juiz Adriano Loureiro Binato de Castro, da 2ª Vara Cível de Petrópolis, concedeu liminar determinando a reintegração de posse em favor de Dom Pedro Tiago e a desocupação do imóvel pela Companhia Imobiliária de Petrópolis.

Bisneto da Princesa Isabel, trineto de Dom Pedro II e pentaneto de Dom Pedro I, o príncipe retornou ao palácio após a decisão judicial, mas afirma ter encontrado a residência sem parte de seus pertences. Segundo seus advogados, entre os bens desaparecidos estão roupas, um tablet, bicicletas, um carro e um quadro. A defesa avalia medidas judiciais para reaver os objetos.

A disputa teria como pano de fundo a possível venda do Palácio do Grão-Pará, imóvel histórico tombado pelo Iphan desde 1930 e avaliado em cerca de R$ 70 milhões. Registrado em nome da Companhia Imobiliária de Petrópolis, o prédio é um dos principais símbolos do legado da família imperial na cidade.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, a Casa Imperial do Brasil afirmou que Pedro Tiago foi “privado do acesso aos seus pertences pessoais, documentos e instrumentos de trabalho” após ser retirado do imóvel, onde alega residir desde o nascimento. Segundo a entidade, seus pais se casaram no palácio e ele próprio foi batizado no local.

Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis. (Foto: Reprodução)
Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis. (Foto: Reprodução)

Palácio do Grão-Pará

Construído entre 1859 e 1861 em estilo neoclássico, o Palácio do Grão-Pará foi inicialmente destinado aos camaristas da Corte Imperial. Após a Proclamação da República, o imóvel abrigou o Tribunal de Justiça, sediou o Colégio Luso-Brasileiro e chegou a ser alugado para a Embaixada de Portugal.





ICL Notícias

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui