Influenciadora exige punição da Brasil Paralelo após uso indevido da imagem do filho

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​A influenciadora Mariana Lopes concedeu, nesta quarta-feira (22), uma entrevista ao ICL Notícias – 1ª edição para falar sobre a denúncia contra a produtora Brasil Paralelo por utilizar indevidamente um vídeo de seu filho para divulgação de um documentário. A produção defende falsamente que creches promovem “ideologia de gênero”, têm baixa qualidade e alta centralidade estatal.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Mariana afirmou que as imagens de seu filho foram utilizadas sem qualquer tipo de autorização em anúncios patrocinados e em trechos do documentário Pedagogia do Abandono. Segundo ela, a produtora teria manipulado o conteúdo original, incluindo a substituição do áudio por uma dublagem com falas que o menino nunca teria dito.

O caso também mobilizou o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep), que acionou o Ministério Público após a realização de gravações dentro da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Patrícia Galvão, localizada na região central da capital paulista. A autorização para as filmagens teria sido concedida durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A iniciativa do sindicato ocorreu após famílias de alunos organizarem, no último sábado (18), um ato em frente à unidade escolar em protesto contra a produção. Pais, responsáveis e educadores promoveram uma aula pública e uma manifestação pacífica em defesa da escola e da educação pública.

A seguir, trechos da entrevista:

Como tomou conhecimento do caso

“Eu estava no Instagram olhando os meus directs e recebi uma mensagem escrita: ‘Por favor, fala comigo’. Havia vários prints com a pergunta: ‘Esse daqui não é seu filho?’. A pessoa me enviou o link de uma página, era um post patrocinado. Eu perdi o sono, fiquei desesperada quando tive a dimensão de onde estava saindo a imagem do meu filho. É uma página que faz esse tipo de desserviço, do tamanho que eles são. Eu pensei: ‘Desde quando estão usando a imagem do meu filho, sabe Deus para quê?’”.

Posts patrocinados

“Passei a madrugada inteira pesquisando o que de fato era o documentário. Foi quando descobri que eles fizeram mais de 50 posts patrocinados com a imagem do meu filho, além de um trailer. Mandei várias mensagens para o meu advogado e começamos a buscar medidas legais, como acionar o ECA Digital. Até agora, não tive retorno de ninguém, muito menos da Brasil Paralelo, que não se pronunciou. Seguem agindo como se nada tivesse acontecido”.

Manipulação de áudio

“O que mais me chocou foi o fato de, no trailer, quando aparece a imagem do meu filho, surgir uma voz que nunca saiu da boca dele. Não sei se foi inteligência artificial ou dublagem. O trailer dá a entender que é ele falando aquilo. Uma pessoa sem convívio com a gente reconheceu meu filho. Esses conteúdos patrocinados circulam desde 20 de dezembro, e eu só descobri agora, em abril. E as outras crianças? Quantas estão sendo usadas dessa forma sem saber?”.

Sem medo de enfrentar

“Fiquei muito chateada, triste e horrorizada, mas não tenho medo. Esses caras mexeram com a pessoa errada. Se eu sei que vou ter que parar isso, então vamos à luta. Em meio a tantas coisas graves que eles fazem, agora tentam isso em ano eleitoral. Eu tenho o direito de reivindicar respeito pelo meu filho”.

Lavagem cerebral

“O teor do que eles falam é absurdo. Não é possível que tenham deixado isso ser lançado. Só esse documentário tinha mais de 10 mil pessoas assistindo ao mesmo tempo. É uma espécie de lavagem cerebral, com ataques a crianças e professores. Quem autorizou isso? São muitas camadas para ficar em silêncio”.

Frustração com o ECA

“É muito difícil passar por isso, ainda mais depois do ECA Digital. Eu fui uma das influenciadoras que comemoraram essa iniciativa. Luto há muito tempo pela regulamentação da internet, mas de que adianta se um pedido de urgência não é atendido?”.

Ato de protesto

“Não tenho nenhuma ligação com a escola. Meu filho não estuda em nenhuma das unidades que aparecem. Quando publiquei o vídeo, a escola entrou em contato comigo, disse que ficou sabendo e que, pela minha coragem, organizaria um ato. Eu estive presente”.

(Foto: Reprodução/ ICL Notícias)

Silêncio da Prefeitura

“Não posso falar pela escola nem sei se a Prefeitura entrou em contato com eles. Mas ninguém falou comigo. Não vi nenhuma nota oficial. É um silêncio ensurdecedor”.

Até o momento, a produtora Brasil Paralelo não se manifestou publicamente sobre as acusações. O caso pode avançar na esfera judicial, envolvendo possíveis violações de direitos de imagem e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).





ICL Notícias

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