Homem passa 10 anos preso por feminicídio, saí da cadeia e mata nova esposa em SP

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Hiago Moreira Schnornberger, de 32 anos, foi preso preventivamente após ser suspeito de assassinar a facadas a própria esposa, Elizângela Aparecida Matheus, de 51 anos, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. O crime aconteceu na quarta-feira (21), dentro da residência do casal, no bairro Parque da Cidadania. O homem já havia sido condenado pelo assassinato de outra companheira, em 2016, e estava em liberdade condicional desde janeiro deste ano.

Elizângela foi atingida por três golpes de faca, dois na região do coração e um no pulmão esquerdo durante uma discussão entre ela e o até então marido. A filha adolescente da vítima, de 15 anos, presenciou o ataque e relatou à polícia ter visto o padrasto esfaqueando a mãe. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a tentar reanimar a mulher, mas ela não resistiu aos ferimentos.

Após o crime, Hiago fugiu e se apresentou à polícia na quinta-feira (22), em uma delegacia de Mirassol, município próximo a Rio Preto. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva. A suspeita da polícia é de que ele estava escondido na casa do pai. As duas cidades têm distância de cerca de 15 km entre si.

Em depoimento, Hiago afirmou que a morte da esposa teria sido acidental e ocorreu durante uma suposta tentativa de defesa. Segundo ele, Elizângela era “muito ciumenta” e teria pegado um punhal guardado em uma gaveta para atacá-lo.

A alegação, no entanto, é contestada pelo depoimento da filha adolescente da vítima, que presenciou o assassinato. De acordo com a delegada Dálice Aparecida Ceron, a jovem relatou ter encontrado o padrasto sobre a mãe, desferindo golpes de faca. “Segundo o depoimento colhido, a filha adolescente se deparou com ele em cima dela a esfaqueando”, disse a delegada.

Elizângela e Hiago estavam casados havia pouco mais de um mês. A vítima deixa duas filhas.

O suspeito já havia sido condenado pelo assassinato de uma ex-namorada, em 2016, e cumpria liberdade condicional desde janeiro deste ano.

Histórico de violência

Em 2016, Hiago foi condenado por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, pelo assassinato de Fernanda Aparecida da Silva, de 18 anos, sua ex-namorada. O crime aconteceu em Pitangueiras, também no interior paulista, após o homem não aceitar o fim do ‘breve relacionamento’.

De acordo com a investigação do caso, ele atraiu a jovem para uma área de mata sob o pretexto de fazer um acampamento. Fernanda foi encontrada morta com golpes de faca, as mãos amarradas e os olhos vendados. Antes do crime, ele teria descoberto que Fernanda estava grávida e também que ela havia o traído.

Inicialmente condenado a 25 anos de prisão, Hiago permaneceu preso por aproximadamente dez anos e recebeu liberdade condicional em janeiro de 2026.

A delegada Ceron apontou semelhanças entre os dois assassinatos, incluindo o uso de faca, a fuga após os crimes e a apresentação espontânea do suspeito às autoridades no dia seguinte.

As investigações sobre a morte de Elizângela também apontam que o relacionamento era marcado por ciúmes e comportamentos tóxicos. Segundo a delegada, Hiago restringia o acesso da companheira às redes sociais e supervisionava o uso das plataformas.

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio. A filha adolescente da vítima, considerada testemunha central, ainda deverá prestar depoimento formalmente.

O Tribunal de Justiça de São Paulo disse que não há informações sobre a defesa de Hiago disponíveis no processo. O advogado que o representou no crime de 2016 foi procurado, mas não foi localizado pela reportagem.

Em caso de violência, denuncie

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie. Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 e pelo Disque 100. O primeiro é da Central de Atendimento à Mulher, e segundo apura violações aos direitos humanos. Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e através da página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. Vítimas de violência doméstica podem fazer a denúncia em até seis meses.





ICL Notícias

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