Hell Bala leva slam e resistência ao Despertar 2026

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Por Iago Filgueiras

A arte também pode ser uma forma de resistência. Foi com poesia, ritmo e denúncia que Hell Bala levou o slam ao palco do Despertar 2026, neste domingo (20), segundo e último dia do evento realizado pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), no Vibra São Paulo.

Direto de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe, o poeta apresentou versos que misturaram crítica social, vivências nas periferias e referências políticas, históricas e culturais. Nas apresentações, falou de temas como fome, desigualdade, violência, reforma agrária e racismo, além de citar autores como Josué de Castro e Conceição Evaristo.

O que é slam?

O slam é uma manifestação de poesia falada, marcada pela oralidade e pela performance. Surgido a partir de encontros de poetas e batalhas de poesia, ganhou força nas periferias brasileiras como espaço para narrar experiências que nem sempre encontram lugar nos circuitos tradicionais da literatura e da academia.

No palco do Despertar, Hell Bala destacou justamente esse papel. Para ele, a poesia falada ocupa um lugar de reivindicação capaz de alcançar experiências que muitas vezes permanecem distantes do ambiente acadêmico.

“Às vezes precisa de uma boca que passou por coisas e uma mente que visualizou coisas que, infelizmente, não permitiram acessar a universidade”, afirmou.

Poesia como denúncia

Hell Bala, nome artístico de Rian Dias, tem 21 anos e contou ter passado grande parte da vida nas periferias das zonas Sul e Norte de Sergipe. Durante a apresentação, lembrou que estudou por muitos anos fora da escola, enquanto conciliava trabalho, sobrevivência e buscava, por conta própria, conhecimentos sobre temas que despertavam seu interesse.

Essa vivência atravessa sua poesia. Em outro texto apresentado ao público, o poeta abordou a desigualdade de oportunidades, a herança da escravidão, as cotas raciais e a violência nas periferias. “Eu queria mais livros e menos armas”, recitou.

Bala também deixou claro que não pretende usar a poesia para apresentar uma versão romantizada de sua trajetória. “Eu vou fazer a denúncia”, afirmou antes de iniciar outro slam.

É justamente nessa denúncia que a arte ganha dimensão política. Ao colocar no centro do palco experiências de pobreza, racismo, violência e exclusão, o slam transforma a palavra em instrumento de disputa por espaço, memória e voz — e, diante do autoritarismo e do fascismo, em ferramenta de resistência.

Ao fim da apresentação, Hell Bala ainda reivindicou maior atenção à saúde mental da população negra e periférica, defendendo que esse cuidado seja tratado como política pública.





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2 COMENTÁRIOS

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