Fuga de Flávio Bolsonaro amplia histórico de bolsonaristas que deixaram o Brasil

0
1


Por Cleber Lourenço

A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, nesta terça-feira (27), dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), amplia o histórico de fugas e tentativas de escapar da Justiça envolvendo a família Bolsonaro e seus aliados. Segundo apuração do ICL Notícias, o senador iniciou sua saída do país na noite de segunda-feira (26). A viagem, com destino apontado para os Estados Unidos, também foi confirmada à Reuters por um aliado do parlamentar e uma fonte do governo americano.

Flávio deixou o país após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir sua saída do território nacional e determinar a entrega de seus passaportes à Polícia Federal em 24 horas. A decisão foi tomada em uma investigação envolvendo o advogado Willer Tomaz e suspeitas de movimentações financeiras relacionadas a empresas de apostas.

O prazo terminou na manhã desta terça-feira sem que o senador entregasse os documentos, posteriormente cancelados pela PF. Na véspera, Flávio havia afirmado que nunca pensara em deixar o Brasil e prometido cumprir a ordem judicial.

O episódio coloca o senador em uma lista de personagens do bolsonarismo que deixaram o país durante investigações, permaneceram no exterior após condenações ou tentaram evitar medidas judiciais. Entre eles estão seu irmão Eduardo Bolsonaro, o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem e a ex-deputada Carla Zambelli.

Quem são os bolsonaristas que fugiram ou tentaram deixar o país

Flávio Bolsonaro (PL-RJ): deixou o Brasil em 27 de outubro de 2026, após a derrota presidencial e sem entregar os passaportes exigidos pelo STF. O destino apontado é os Estados Unidos.
Jair Bolsonaro (PL): viajou aos Estados Unidos em dezembro de 2022, antes do fim do mandato. Em fevereiro de 2024, permaneceu duas noites na Embaixada da Hungria após ter o passaporte apreendido. A PF também encontrou uma minuta de pedido de asilo político à Argentina. Não era formalmente foragido nesses episódios.

Eduardo Bolsonaro (PL-SP): deixou o Brasil em março de 2025 e permaneceu nos Estados Unidos. Foi posteriormente condenado pelo STF e passou a ser alvo de mandado de prisão.

Alexandre Ramagem (PL-RJ): fugiu para os Estados Unidos apesar de restrições judiciais. Condenado por participação na trama golpista, tornou-se alvo de pedido de extradição.

Allan dos Santos: vive nos Estados Unidos desde 2021 e tem prisão preventiva decretada pelo STF.
Oswaldo Eustáquio: permanece na Espanha apesar de mandados de prisão expedidos pelo STF. A Justiça espanhola rejeitou o pedido brasileiro de extradição.

Carla Zambelli (PL-SP): deixou o Brasil rumo à Itália após condenação pelo STF. Foi presa no país europeu e passou a responder a processo de extradição.

Silvinei Vasques: fugiu para o Paraguai em dezembro de 2025, após romper o monitoramento eletrônico. Foi preso ao tentar embarcar para El Salvador com passaporte falso e devolvido ao Brasil.

Paulo Figueiredo: vive nos Estados Unidos e participou das articulações internacionais do bolsonarismo. Não há confirmação de que esteja formalmente foragido.

Jair Bolsonaro. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Jair Bolsonaro. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Da viagem de Jair aos Estados Unidos à fuga de Ramagem

O histórico começou a ganhar destaque em dezembro de 2022, quando Jair Bolsonaro deixou o Brasil às vésperas da posse de Lula. O ex-presidente retornou três meses depois, mas voltou a levantar suspeitas de uma possível tentativa de escapar da Justiça em fevereiro de 2024, ao permanecer na Embaixada da Hungria poucos dias depois da apreensão de seu passaporte.

A suspeita ganhou força com a descoberta, pela Polícia Federal, de uma minuta de pedido de asilo político dirigida ao presidente argentino Javier Milei. A defesa de Bolsonaro afirmou que ele não aderiu à proposta.

Nos anos seguintes, integrantes do grupo passaram a permanecer no exterior mesmo diante de ordens judiciais brasileiras. Eduardo Bolsonaro, por exemplo, estabeleceu-se nos Estados Unidos e participou de articulações por sanções contra autoridades do STF. Alexandre Ramagem deixou o país apesar de restrições impostas pela Justiça.

Em 25 de outubro, Ramagem acompanhou a apuração eleitoral em Miami ao lado de Eduardo e Paulo Figueiredo. Na ocasião, afirmou que esperava retornar ao Brasil caso Flávio vencesse, apostando na possibilidade de anistia ou revisão de sua condenação.

A derrota eleitoral frustrou essa expectativa. Dois dias depois, foi a vez de Flávio deixar o Brasil.

A saída do senador também poderá provocar novos desdobramentos judiciais. Além da investigação envolvendo Willer Tomaz, Flávio é citado em apurações relacionadas ao Banco Master e ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

As autoridades brasileiras ainda buscam esclarecer a rota utilizada pelo parlamentar. Também permanece sem confirmação pública a suspeita de que ele tenha recebido auxílio de autoridades estrangeiras para deixar o país.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui