‘Foram 25 anos de sofrimento’, diz Lula

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em uma reunião marcada pelo simbolismo político às vésperas da assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Após mais de duas décadas de negociações, o tratado será oficializado neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai.

Em declaração conjunta à imprensa, Lula classificou o longo processo de negociação como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo” e afirmou que o desfecho representa um marco histórico não apenas econômico, mas também político.

“Amanhã [sábado, 17], em Assunção, UE e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22 trilhões”, afirmou o presidente.

Acordo além do comércio

Lula fez questão de sublinhar que o tratado ultrapassa a lógica comercial tradicional. Segundo ele, a parceria está ancorada em valores compartilhados entre os dois blocos, como democracia, Estado de Direito e direitos humanos.

“Esse acordo vai além da dimensão econômica. A União Europeia e o Mercosul compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos”, disse.

O presidente também destacou compromissos ambientais, trabalhistas e sociais previstos no texto, defendendo que a abertura comercial “só faz sentido se for capaz de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir as desigualdades”.

Multilateralismo e reposicionamento do Brasil

Ao longo do discurso, Lula apresentou o acordo como uma aposta estratégica no multilateralismo em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e disputas comerciais. Segundo ele, a retomada das negociações com a União Europeia foi prioridade desde o início de seu terceiro mandato.

“Restaurar a parceria com a União Europeia em novas bases foi uma prioridade desde o início de meu terceiro mandato”, afirmou.

O presidente também ressaltou que o Brasil busca ir além do papel de exportador de commodities e ampliar a venda de bens industriais de maior valor agregado, além de atrair investimentos europeus em áreas estratégicas, como transição energética e digital.

Reconhecimento europeu

Em sua fala, Ursula von der Leyen classificou o acordo como uma conquista histórica e agradeceu diretamente a Lula pela condução política das tratativas finais.

“É uma conquista de uma geração inteira. A liderança política, o compromisso pessoal e a paixão que o senhor mostrou nas últimas semanas e meses são realmente enormes”, declarou.

Ela destacou ainda que o tratado, negociado ao longo de 25 anos, simboliza a capacidade de cooperação entre regiões que defendem regras multilaterais e previsibilidade no comércio internacional.

A ‘foto da vitória’ e os próximos passos

Embora o acordo seja formalmente assinado em Assunção, Lula não participará da cerimônia. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Para a diplomacia brasileira, no entanto, o encontro no Rio teve peso político superior.

A avaliação no governo é de que a reunião com a presidente da Comissão Europeia garantiu ao presidente brasileiro a chamada “foto da vitória” com a principal liderança do bloco, reforçando o protagonismo do Brasil nas negociações.

O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação entre os dois blocos e dará origem à maior zona de livre comércio do mundo, consolidando um dos pactos mais ambiciosos do comércio internacional contemporâneo.





ICL Notícias

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