O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou explicações de Flávio Bolsonaro (PL) sobre diferentes temas durante o debate presidencial da Band, neste domingo (18), mas o senador evitou responder diretamente a questionamentos sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, seu patrimônio e a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).
Ao longo do debate, Flávio também transformou as falas de Lula em palco para provocações e interrupções. O senador circulou atrás do presidente diante das câmeras, fez expressões e gestos enquanto o adversário falava e disputou a cena mesmo quando não estava com a palavra. A movimentação se repetiu durante o encontro, sem uma intervenção dos apresentadores para impedir que ele continuasse rondando o presidente. A intervenção ocorreu somente nas considerações finais quando a jornalista Adriana Araújo atendeu às exigência da plateia já exaltada.
As cobranças de Lula passaram ainda por direitos dos trabalhadores, incluindo a licença-maternidade, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pela economia, pela interferência no tarifaço imposto pelo governo Trump e pelas terras raras. Flávio, por sua vez, investiu em ataques ao governo petista e não respondeu aos questionamentos.
Licença-maternidade
A primeira pergunta que Flávio Bolsonaro ignorou diz respeito à vida das mulheres. Lula questionou o senador sobre sua posição contrária à ampliação da licença-maternidade por mais dois meses, mas não obteve uma resposta direta.
O presidente Lula cobrou explicações de Flávio Bolsonaro por seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade das servidoras públicas estaduais do Rio de Janeiro, em 2009, quando o senador era deputado estadual.
A proposta, apresentada pelo então deputado Marcelo Freixo (PSOL), previa ampliar de quatro para seis meses o período de afastamento das servidoras após o nascimento dos filhos. Na votação realizada em 31 de março daquele ano, Flávio foi o único dos 46 deputados que votaram a rejeitar a proposta: os outros 45 foram favoráveis.
Durante o debate na Band, Lula lembrou o episódio e questionou a posição do adversário em relação aos direitos das mulheres.
“O que que você tem contra as mulheres?”, perguntou o presidente, ao cobrar explicações sobre o voto contrário à ampliação da licença.
Lula cobra explicações sobre Vorcaro e patrimônio
Lula também questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões que Flávio solicitou ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente produzir uma cinebiografia do pai, Jair Bolsonaro. Em vez de responder diretamente à pergunta, o candidato do PL desviou o foco para ataques ao presidente e a integrantes de sua família.
A pergunta se somou a outra cobrança sobre o patrimônio do senador, em especial a compra de uma mansão avaliada em R$ 10 milhões. Lula questionou a aquisição e a compatibilidade do negócio com a trajetória financeira de Flávio. O senador não apresentou, no confronto, uma resposta direta que esclarecesse os pontos levantados pelo adversário.
“Você contou 43 mentiras a respeito disso [sobre o filme Dark Horse]. Pelo amor de Deus, a chance de você aqui na Bandeirantes contar uma verdade. Só diga: ‘eu peguei o dinheiro pra sustentar meu irmão [Eduardo Bolsonaro], coloquei numa conta para mim, comprei uma casa de R$ 10 milhões’. Ah, me explica como é que você comprou uma mansão de R$ 10 milhões com salário do senador?”
O senador não apresentou, no confronto, uma resposta direta que esclarecesse os pontos levantados pelo presidente.
Pandemia volta ao centro do confronto
A gestão da pandemia de Covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro também foi tema das cobranças do presidente. Lula criticou a condução da crise sanitária e responsabilizou a administração anterior pelas decisões tomadas naquele período, como a rejeição das vacinas e o incentivo ao uso de um medicamento que não tinha eficácia comprovada.
Flávio voltou a atacar Lula, mas não respondeu de forma direta às críticas sobre a atuação do governo de seu pai na pandemia.
Lula critica relação de Flávio com o mundo do trabalho
Em outro momento, Lula afirmou que Flávio não conhece a realidade dos trabalhadores e disse que o senador nunca trabalhou. O presidente relacionou a crítica à experiência cotidiana de quem depende do salário para viver, paga as contas e enfrenta o aumento do custo de vida.
Lula também abordou o preço dos alimentos e as condições de vida da população. O presidente procurou contrastar a realidade de quem precisa trabalhar para sustentar a família com a trajetória de Flávio, a quem acusou de desconhecer o cotidiano dos trabalhadores. “Conhece ônibus por literatura”, ironizou Lula.
O debate também passou pela escala de trabalho 6×1 e por propostas relacionadas às condições de emprego. A discussão sobre direitos trabalhistas, licença-maternidade e jornada de trabalho mostrou que o confronto não se limitou às acusações pessoais: Lula também tentou cobrar do adversário posições sobre medidas que afetam diretamente a vida dos trabalhadores.
Flávio promete Ministério da “Prosperidade” e fala em dívidas e juros
Na área econômica, Flávio prometeu criar um Ministério da “Prosperidade” e apresentou propostas relacionadas ao endividamento da população, aos juros e à atividade econômica. O candidato do PL também falou em medidas para aliviar dívidas e reduzir os custos financeiros.
A economia foi um dos eixos do debate, com discussões sobre crescimento, produtividade, investimentos e situação fiscal. Lula e Flávio apresentaram visões diferentes sobre os resultados econômicos do país e sobre as medidas necessárias para ampliar a renda e melhorar as condições de vida da população.
O endividamento e os juros também foram usados para confrontar as propostas econômicas dos dois candidatos. Flávio defendeu medidas para reduzir o peso das dívidas, enquanto Lula procurou sustentar sua avaliação sobre a economia a partir das condições de vida dos brasileiros e dos resultados de seu governo.
Segurança pública concentra ataques de Flávio
A segurança pública foi outro assunto importante do debate. Flávio atacou o governo Lula e defendeu medidas de endurecimento penal, entre elas a castração química e a redução da maioridade penal.
O senador abordou ainda a cooperação internacional em segurança, incluindo a aproximação com os Estados Unidos e referências à iniciativa conhecida como Escudo das Américas. As propostas foram apresentadas em meio às críticas de Flávio à política de segurança do governo federal.
Lula e Flávio também divergiram sobre as respostas do Estado à criminalidade e sobre a condução de políticas públicas. A segurança foi utilizada pelo candidato do PL para atacar o adversário, enquanto o presidente procurou contestar a avaliação feita pelo senador sobre seu governo.
Lula desafio Flávio a abrir sigilos bancários
Em meio às acusações, Lula desafiou Flávio a abrir informações bancárias e registros telefônicos antes do segundo turno. O senador, porém, não respondeu.
Nas considerações finais, a tensão voltou a aparecer. Flávio circulou atrás do presidente enquanto Lula se dirigia ao público, provocando reações na plateia. Houve confronto verbal com a plateia, e a apresentadora Adriana precisou intervir durante a fala final de Lula. A apresentadora precisou pedir que o candidato Flávio parece de interferir.
O conjunto do debate foi marcado por cobranças sobre temas concretos — de direitos trabalhistas à economia e à pandemia —, mas também por ataques pessoais e tentativas de desviar o foco das perguntas. No caso de Flávio, as cobranças sobre Vorcaro, patrimônio e a gestão da Covid-19 permaneceram sem respostas diretas.




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