Flávio Bolsonaro é alvo de protesto em Manaus :’Cadê o dinheiro do Vorcaro?’

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Por Felipe Rabioglio

A passagem do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por Manaus foi marcada por protestos nesta sexta-feira (11). Manifestantes cobraram explicações do senador sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e criticaram a mudança de discurso do presidenciável em relação à Zona Franca de Manaus (ZFM).

“Flávio Bolsonaro, cadê o dinheiro do Vorcaro?” foi uma das cobranças feitas durante a manifestação. Vídeos do ato registraram cartazes e gritos relacionando o candidato ao ex-controlador do Banco Master.

O protesto ocorreu durante a passagem de Flávio pela capital amazonense para uma série de compromissos de campanha. O senador visitou a fábrica da Honda, no Polo Industrial de Manaus, e participou do evento “Grande Encontro da Força da Direita do Amazonas”.

‘Cadê o dinheiro do Vorcaro?’

O caso Master foi um dos principais motivos do protesto. Documentos de investigações relacionadas ao Banco Master e ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) , após solicitação de Edson Fachin. Flávio está entre os políticos citados nos documentos tornados públicos.

O senador foi flagrado conversando com Vorcaro para buscar financiamento para o filme sobre o pai. O ex-banqueiro chegou a repassar o valor de R$ 61 milhões para a produção.

Durante a passagem por Amazonas, Flávio também comentou as investigações. O candidato defendeu a atuação de André Mendonça e afirmou estar tranquilo com as apurações.

De crítico a ‘100% Zona Franca’

Se nas ruas Flávio foi cobrado pelo caso Vorcaro, dentro de sua agenda de campanha o senador tentou se apresentar como defensor da Zona Franca de Manaus.

Vestindo uma camisa com a inscrição “100% Zona Franca”, Flávio classificou o modelo como estratégico para o país e prometeu ampliar investimentos no polo industrial amazonense.

“A Zona Franca agora é do Brasil, 100% orgulho nacional. E nós vamos melhorar ainda mais a Zona Franca de Manaus”, afirmou.

O discurso é bastante diferente daquele adotado pelo próprio Flávio há menos de três anos.

Em novembro de 2023, durante a discussão da reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Flávio criticou a preservação das vantagens competitivas da Zona Franca e classificou como uma “injustiça” o tratamento dado ao Amazonas em comparação ao Rio de Janeiro.

Na ocasião, o senador chegou a argumentar que os incentivos poderiam deslocar indústrias de outros estados e provocar desemprego no restante do país.

“Manaus tem que ser o novo Vale do Silício e o resto do Brasil uma Argentina, já que as indústrias de todo o país vão para a Zona Franca de Manaus por causa do custo baixo de produção ou serão incentivadas a adquirir matérias-primas no Amazonas. Isso pode causar desemprego no Brasil inteiro, exceto no Amazonas”, afirmou Flávio, em tom irônico, em 2023.

A crítica ocorreu depois que o relator da reforma tributária, Eduardo Braga (MDB-AM), rejeitou uma emenda apresentada por Flávio relacionada à distribuição dos royalties do petróleo e de interesse do Rio de Janeiro. Flávio votou contra o texto aprovado pela CCJ.

Agora, em campanha pela Presidência e diante do eleitorado amazonense, o candidato mudou o tom.

Para Yann Evanovick, professor e presidente do PCdoB no Amazonas, a contradição entre as declarações de 2023 e o discurso atual foi justamente uma das razões para a manifestação.

“O Flávio Bolsonaro tem um histórico de críticas à Zona Franca de Manaus e agora vem a Manaus se apresentando como defensor do modelo, inclusive vestindo uma camisa dizendo ‘100% Zona Franca’. O amazonense tem o direito de conhecer esse histórico e cobrar coerência”, afirmou ao ICL Notícias.

Do ‘Vale do Silício’ irônico à promessa de data centers

Flávio também prometeu atrair empresas de tecnologia e data centers para a Zona Franca, apresentando a proposta como uma forma de gerar empregos e qualificar jovens da região.

A promessa, porém, não veio acompanhada de detalhes sobre impactos ambientais, demanda energética ou contrapartidas para a população. A expansão dos data centers tem provocado preocupação em diferentes países pelo alto consumo de eletricidade e água.

Nos Estados Unidos, a expansão já enfrenta resistência popular. Em julho deste ano, 142 protestos contra data centers ocorreram em 42 estados.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada antes dos atos mostrou ainda que apenas 14% dos entrevistados apoiariam a construção de um data center voltado à inteligência artificial em sua própria comunidade.

A proposta também chama atenção pelo contraste com a fala de Flávio em 2023: na época, ele usou de forma irônica a ideia de transformar Manaus em um “novo Vale do Silício” para criticar os benefícios concedidos à Zona Franca. Agora, em campanha pela Presidência, promete justamente ampliar a presença de empresas de tecnologia na região.





ICL Notícias

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