Ex-presidente do BRB troca defesa e acende alerta de delação, diz jornal

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Preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde a semana passada, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, trocou sua equipe de defesa — informação apurada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e confirmada pela Folha de S. Paulo — em um movimento que acende a possibilidade de um acordo de colaboração premiada.

Antes da mudança, Costa era representado pelo advogado Cléber Lopes, próximo ao ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) e que atuou em sua defesa no processo dos ataques de 8 de Janeiro. A partir desta quarta-feira (22), a defesa passa para os advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino.

Questionado sobre a possibilidade de delação, Aragão afirmou aos jornais que ainda não havia conversado com o cliente.

Paulo Henrique Costa foi preso na última quinta-feira (16). Entre os fundamentos da prisão está a suspeita de que ele tenha ocultado seis imóveis recebidos como propina do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master.

O advogado de Ibaneis, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirma que o ex-governador não demonstra preocupação com uma eventual delação.

Costa é investigado por sua atuação na tentativa de compra do Master pelo BRB, na aquisição de carteiras de crédito consignado consideradas falsas e em operações que tornaram Vorcaro e seus associados acionistas do banco.

Segundo a Polícia Federal, os seis imóveis — dois em Brasília e quatro em São Paulo — estão avaliados em R$ 146,5 milhões. Na decisão que autorizou a prisão, o ministro André Mendonça, do STF, reproduz conversas entre Costa e Vorcaro.

Na ocasião, o então advogado Cléber Lopes afirmou que o ex-presidente do BRB não cometeu crimes e classificou a prisão como exagerada.

Costa presidiu o BRB desde o início do governo Ibaneis, em 2019. Ele foi afastado do cargo por 60 dias por decisão judicial na primeira fase da Operação Compliance Zero, em 18 de novembro, e demitido no dia seguinte.

No início de abril, o BRB entregou à Polícia Federal o relatório final de uma auditoria independente sobre negócios com o banco Master, consolidando suspeitas já apuradas na investigação.

O documento aponta que a compra de carteiras do Master era tratada internamente como “negócio do presidente”, conduzida sob pressão e urgência. Segundo a auditoria, as carteiras eram fragmentadas para evitar a necessidade de aprovação pelo conselho de administração.

A PF também encontrou uma anotação na agenda da ex-diretora de Controle e Riscos do BRB, Luana de Andrade Ribeiro, de julho do ano passado, indicando que Costa teria determinado a compra de carteiras para salvar o Master.





ICL Notícias

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