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A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou, nesta terça-feira (5), acreditar que o governo dos Estados Unidos pode recuar da aplicação da tarifa de 50% a mais alguns itens, como o a carne e o café.
Após anunciar a sobretaxa, o presidente americano, Donald Trump, assinou um decreto que formalizava a tarifa removendo quase 700 itens. A carne e o café, porém, continuaram na lista de itens do tarifaço.
“A única coisa que ficou de fora [das isenções] nos Estados Unidos, que realmente é caro para o paladar deles, é a carne e o café. O resto eles se reposicionam, e algumas frutas. Então nós acreditamos que a hora que eles olharem os números inflacionários desses produtos e a hora que eles fizerem a pesquisa de opinião pública, que obviamente eles fazem, eles vão reposicionar esses produtos no mercado”, disse Tebet.
Segundo a ministra, há a expectativa de que os EUA adiem o começo da vigência das tarifas, previsto para esta quarta-feira (6). “A gente pode ter uma surpresa nos próximos dias. É do interesse deles, eles não querem inflacionar o café da manhã, o hambúrguer do final de semana”.
“Não há absolutamente lógica nenhuma, até eleitoral interna americana, se eles estiverem pensando também em reeleição”, completou.
De acordo com Tebet, essas perspectivas vieram de uma série de conversas com empresários do setor. “Por interesse deles, a carne e o café têm muito mais desvantagem do que nós. O café porque o Vietnã também teve um problema de safra. A gente consegue reposicionar, ainda que não amanhã, mas a curto prazo, esses dois produtos. A carne é virar uma chave. O frigorífico deixa de fazer o corte específico para os Estados Unidos, mas o boi é o mesmo. Então ele só faz o corte específico para outros países.”
“Acho que todos os bancos públicos vão ter que participar, obviamente. Vamos aguardar amanhã, vai que a gente ganha antecipadamente um presente de Papai Noel, de Natal e vai ter aí uma prorrogação de 90 dias no tarifa de 50, ou uma redução já de 50% para 30%”, completou a ministra.
Após anunciar a sobretaxa, o presidente americano, Donald Trump, assinou um decreto que formalizava a tarifa removendo quase 700 itens (Foto: Jim Watson/AFP)
Avaliação do governo sobre o tarifaço
Segundo informações do jornal “Folha de São Paulo”, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, que tem comandado as conversas com os empresários brasileiros e com interlocutores do governo americano, também acredita que haja chances de que Trump recue parcialmente do tarifaço ou adie o prazo para que as tarifas entrem em vigor.
A avaliação teria sido transmitida por Alckmin em almoço nesta terça com o presidente da República, ministros do governo e governadores do Nordeste no Palácio do Itamaraty, após reunião do Conselhão da Presidência.
De acordo com a “Folha”, um governador diz que Lula teria dito que todos os cenários estão sendo avaliados, que o governo está buscando novos mercados e que o Executivo tomará todas as medidas necessárias para reduzir prejuízos dos setores eventualmente afetados. O presidente teria sinalizado, por exemplo, com a possibilidade de o governo comprar produtos de setores que serão atingidos.
Outro governador afirmou que a orientação do Executivo é cautela neste momento, já que é preciso entender exatamente qual será a postura do governo americano e o real impacto da sobretaxa na economia brasileira.



