Entrada de 13 milhões de donas de casa no mercado elevaria PIB em 2,2%, diz estudo

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A entrada de 13 milhões de mulheres que atualmente se dedicam exclusivamente aos afazeres domésticos e aos cuidados familiares no mercado de trabalho poderia aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2,2%. A estimativa representa um acréscimo de R$ 284 bilhões à economia, considerando os dados de 2025.

O levantamento, realizado pelas pesquisadoras Isabela Duarte Kelly e Hildete Pereira de Melo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), foi divulgado pela Folha de S.Paulo e utiliza informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo calcula a renda que essas mulheres poderiam receber caso tivessem acesso a empregos remunerados, considerando seus níveis de escolaridade.

Atualmente, 42,8 milhões de mulheres estão fora da força de trabalho no Brasil, o equivalente a 47% da população feminina considerada pelo levantamento. Desse total, 13 milhões apontam as responsabilidades com a casa, os filhos e outros familiares como principal motivo para não procurar emprego. Essas mulheres dedicam, em média, 32 horas semanais a atividades domésticas e de cuidado não remuneradas.

Falta de creches e serviços de cuidado dificulta acesso ao emprego

O estudo aponta que a sobrecarga de responsabilidades familiares é um dos principais obstáculos à participação feminina no mercado de trabalho. Para as pesquisadoras, ampliar a oferta de creches, escolas em tempo integral e centros de atendimento diurno para idosos é fundamental para permitir que mais mulheres tenham uma ocupação remunerada.

A participação feminina na força de trabalho permanece praticamente estagnada há mais de uma década. Em 2012, era de 52% e, em 2025, chegou a 53%. Entre os homens, a proporção alcançou 72% no último ano.

A diferença também aparece nos motivos para permanecer fora do mercado. Enquanto 13 milhões de mulheres apontam os cuidados domésticos como principal impedimento, apenas 740 mil homens estão na mesma situação.

O levantamento destaca que essas mulheres já realizam atividades essenciais para o funcionamento das famílias, mas não recebem remuneração por esse trabalho. A falta de serviços públicos de cuidado acaba restringindo suas oportunidades de emprego e de autonomia financeira.

Ganho econômico poderia chegar a R$ 284 bilhões

Para calcular o impacto econômico, as pesquisadoras consideraram mulheres com menos de 65 anos que permanecem fora do mercado devido às responsabilidades domésticas. A simulação utiliza os salários médios de trabalhadoras com escolaridade semelhante.

Em 2025, o rendimento médio de mulheres com ensino médio completo, nível de instrução predominante entre as integrantes do grupo analisado, era de R$ 2.162 mensais.

A entrada dessas mulheres no mercado poderia gerar R$ 320,3 bilhões em rendimentos adicionais. Descontados aproximadamente R$ 36 bilhões em benefícios do Bolsa Família que deixariam de ser recebidos, conforme a hipótese adotada pelo estudo, o ganho líquido estimado seria de R$ 284,3 bilhões, equivalente a 2,2% do PIB.

A pesquisa também aponta que o impacto econômico poderia ser percebido na renda das famílias e na arrecadação previdenciária, além de ampliar a independência financeira das mulheres.

Mulheres negras enfrentam maiores obstáculos

A desigualdade na distribuição do trabalho doméstico também apresenta diferenças raciais e regionais. Segundo o estudo, mulheres pretas e pardas são maioria entre as 13 milhões que permanecem fora do mercado devido às responsabilidades familiares.

As regiões Norte e Nordeste registram as menores taxas de participação feminina na força de trabalho. Em 2025, os índices eram de 48% e 45%, respectivamente, abaixo da média nacional de 53%.

Para as pesquisadoras, os resultados demonstram que a ampliação da participação feminina no mercado depende de políticas públicas capazes de redistribuir as responsabilidades de cuidado e oferecer condições para que essas mulheres possam trabalhar.

O estudo ressalta que o grupo analisado não é composto necessariamente por mulheres que não desejam exercer uma atividade remunerada, mas por aquelas que enfrentam obstáculos relacionados à falta de tempo e à ausência de uma rede de apoio.

A estimativa de crescimento do PIB representa um cenário hipotético, calculado a partir da renda potencial dessas trabalhadoras, e não uma projeção de que todas conseguirão emprego imediatamente.





ICL Notícias

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