Apesar de Flávio Bolsonaro não reconhecer a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, líderes de direita e de esquerda da América Latina, personalidades do mundo da política, a OEA e de chefes de governos de outras regiões saudaram a vitória do petista.
O senador Bernie Sanders, um dos pilares da oposição democrática nos EUA, foi um dos primeiros a comemorar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições.
Nas redes sociais, ele escreveu:
Parabéns a Lula por sua extraordinária vitória na reeleição para a presidência do Brasil.
Lula defendeu os trabalhadores brasileiros e a democracia — e continuará a fazê-lo nos próximos quatro anos.
A vitória do brasileiro é considerada como um dos grandes eventos geopolíticos do ano. Diplomatas em diferentes partes do mundo revelaram ao ICL Notícias que a apuração estava sendo acompanhada por europeus, asiáticos e latino-americanos.
Para muitos, o que se questionava era como uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia acelerar o avanço dos EUA na América Latina.
Latinos de direita, de esquerda e OEA parabenizam Lula
A OEA, que havia enviado observadores para a eleição, reconheceu o resultado das urnas. Alberto Ramdin, secretário-geral da OEA, saudou “o povo brasileiro pelo aumento da participação eleitoral no segundo turno das Eleições de 2026, que demonstra seu compromisso com o dever cívico, a participação pacífica e o espírito e os valores democráticos”.
“Após a reeleição do presidente Lula, a OAB continuará trabalhando com o Governo do Brasil em prol de uma agenda hemisférica unida e voltada para o futuro, pela paz e pela prosperidade”, disse.
Segundo ele, o relatório preliminar da Missão da OEA no Brasil sobre o segundo turno apontará oportunidades para aprimorar os processos eleitorais do país.
Pela América Latina, mesmo governos alinhados aos EUA saíram publicamente para felicitar Lula pela vitória. Santiago Peña, presidente do Paraguai, destacou nas redes sociais a “grande jornada democrática”. “Paraguai e Brasil compartilham uma agenda comum de integração e desenvolvimento”, afirmou.
De extrema direita, o presidente do Chile, José Antônio Kast, telefonou para Lula para parabenizá-lo.Rodrigo Paz, presidente da Bolívia, também saudou o novo mandato do petista. “Bolívia e Brasil são países vizinhos e irmão”, indicou. José Molino, presidente do Panamá, foi outro que foi às redes para saudar o brasileiro, além do chanceler de Cuba, do governo da Venezuela e do Uruguai.
No México, a presidente Claudia Scheinbaum foi enfática. “Viva a democracia, o povo brasileiro venceu. Parabéns, presidente Lula”, disse.
Entre os membros do Mercosul, o único a se manter em silêncio foi Javier Milei, que protagonizou ofensas contra Lula nas últimas semanas.
Silêncio de Trump e Milei
Por enquanto, porém, o presidente Donald Trump não se pronunciou sobre a vitória de Lula. Há uma pressão por parte dos bolsonaristas para que a Casa Branca não reconheça o resultado da eleição brasileira.
Na semana passada, numa sinalização que deixou observadores da sociedade civil preocupados, o governo de Donald Trump não se comprometeu em reconhecer os resultados eleitorais no Brasil.
Há duas semanas, congressistas norte-americanos enviaram uma carta ao Departamento de Estado, cobrando um posicionamento por parte de Marco Rubio sobre a eleição no país. A principal preocupação do grupo liderado pelo senador Bernie Sanders era de que o voto no Brasil fosse alvo de uma operação de desestabilização por parte dos EUA. No documento, Sanders e outros pressionavam o governo Trump sobre qual seria a reação da Casa Branca diante da situação brasileira.
A carta foi seguida por outras duas manifestações por parte deputados e senadores dos EUA, também pressionando Rubio a dar respostas sobre o posicionamento americano no processo democrático no país.
Mas na resposta, enviada nesta quinta-feira, o governo Trump não deu qualquer garantia de que irá reconhecer o resultado das urnas.
Num texto lacônico, o Departamento de Estado afirma:
“Os EUA apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo. Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”.
A resposta não foi sequer assinada por Rubio. Coube a Katherine Bowles, sub-secretária para Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, enviar o texto.
A carta acendeu um alerta. Nos últimos meses, a sociedade civil brasileira tem percorrido gabinetes de democratas nos EUA, alertando sobre o risco de que Trump não reconheça o resultado da eleição.
A ação da oposição é considerada como estratégica para observadores brasileiros. A pressão dos parlamentares pode gerar constrangimentos para uma eventual ação desestabilizadora por parte de Trump. A esperança do Brasil é de que essa movimentação ainda sirva como um contraponto dentro do próprio EUA, caso o presidente americano opte por não reconhecer uma vitória de Lula.
O qualificativo de “livre e justo” por parte do Departamento de Estado para se referir à eleição no Brasil também chama a atenção. Uma parte da sociedade civil questiona quem, nos EUA, designaria que a eleição foi “livre e justa”. A suspeita é de que esses termos possam ser usados, eventualmente, para justificar uma decisão por parte de Trump de dizer que esses critérios não teriam sido atendidos.
Dias depois da carta de Sanders, um grupo de senadores liderado por Jeanne Shaheen, do Comitê de Relações Exteriores do Senado, e pelos senadores Tim Kaine e Peter Welch, voltaram a cobrar o Departamento de Estado.
A acusação era de favorecimento explícito à candidatura de Flávio Bolsonaro. “A recente reunião no Salão Oval entre o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro e o presidente Trump — realizada em meio a tentativas de atenuar um escândalo político interno — evidencia a disposição da Administração em interferir no processo eleitoral”, indicam.




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