Delação aponta repasses de Vorcaro para fundo ligado a filme sobre Jair Bolsonaro

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O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, afirmou em delação premiada que atuava como operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo informações atribuídas à colaboração, ele teria realizado transferências de recursos e providenciado dinheiro em espécie a pedido do banqueiro, incluindo valores destinados a um fundo nos Estados Unidos relacionado à produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com o relato, Freixo utilizava empresas sob seu controle para realizar operações determinadas por Vorcaro. Em algumas situações, segundo o empresário, os recursos eram convertidos em dinheiro vivo por meio de outros operadores, que cobravam comissão. O montante seria então transportado em malas e entregue ao ex-banqueiro. Freixo afirmou, porém, que não tinha conhecimento sobre a destinação final do dinheiro em espécie.

Entre as operações citadas na investigação estão repasses para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A empresa Entre Investimentos e Participações, de Freixo, teria sido utilizada para intermediar pelo menos R$ 10 milhões destinados ao fundo. A Polícia Federal investiga a origem e a finalidade dos recursos.

A delação foi firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por analisar a homologação do acordo. Caso seja homologada, as informações apresentadas pelo empresário poderão ser utilizadas formalmente nas investigações sobre o caso Banco Master.

Freixo foi alvo de buscas durante a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo a investigação, a Entre Investimentos teria funcionado como uma espécie de braço operacional de Vorcaro para movimentações financeiras.

O empresário também relatou às autoridades que mantinha uma relação empresarial antiga com Vorcaro e que, posteriormente, passou a receber solicitações para realizar operações consideradas por ele como “não ortodoxas”, incluindo transferências sem lastro e obtenção de dinheiro em espécie.

A defesa de Freixo não se manifestou sobre as informações divulgadas. A defesa de Vorcaro afirmou que não teve acesso à proposta de delação e disse desconhecer o conteúdo relatado pelo empresário.





ICL Notícias

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