Defensor da taxa das blusinhas, Luciano Hang critica impostos

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Por Cleber Lourenço

O empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, voltou ao debate público sobre tributação ao criticar a carga de impostos no Brasil em publicação feita no feriado de Tiradentes. No post, ele afirma que o país paga “quase 40%” em tributos e usa a figura histórica para questionar o sistema fiscal brasileiro.

“Tiradentes morreu por não aceitar 20% de impostos. Hoje pagamos quase 40% silenciosamente. Ele é o exemplo que devemos lutar e mostrar o que está de errado nesse país”, escreveu.

A fala ocorre após uma atuação direta e consistente do próprio empresário em defesa da taxação de compras internacionais de até US$ 50 — medida que ficou conhecida como “taxa das blusinhas” e que impacta principalmente plataformas estrangeiras de e-commerce.

Desde o início do debate, Hang se posicionou publicamente a favor da cobrança. Em entrevistas, manifestações nas redes sociais e declarações à imprensa, o empresário sustentou que havia uma “concorrência desleal” entre empresas brasileiras e gigantes internacionais que operam no país com menor carga tributária.

O discurso foi acompanhado de articulação política. Hang atuou junto a parlamentares e reforçou a pressão do setor varejista pela aprovação da medida no Congresso. O argumento central era o de que a isenção para compras internacionais de baixo valor distorcia o mercado e prejudicava empresas nacionais.

Esse movimento ocorreu em paralelo ao avanço acelerado de plataformas estrangeiras no Brasil, como Shein, Shopee e AliExpress, que passaram a dominar o segmento de compras de baixo valor, ampliando a disputa com o varejo tradicional.

A atuação do empresário não se limitou à defesa pública. Após a aprovação da taxação no Senado, em junho de 2024, Hang fez contato direto com parlamentares para agradecer o apoio à medida.

Na ocasião o senador Omar Aziz (PSD-AM) relatou ao jornalista Valdo Cruz ter recebido uma ligação do empresário logo após defender a tributação no plenário.

“Ele [Luciano Hang] me ligou para agradecer meu discurso de ontem no plenário, no qual defendi a tributação para evitar uma concorrência desleal de empresas chinesas”, afirmou Aziz.

Na mesma declaração, o senador reforçou o argumento utilizado por Hang e por representantes do setor, citando medidas adotadas por outros países para restringir ou encarecer a entrada de produtos estrangeiros como forma de proteger seus mercados internos.

A taxação das compras internacionais de até US$ 50 foi incluída no debate legislativo em meio a negociações entre o governo federal e o Congresso. A proposta acabou sendo incorporada a um acordo político que estabeleceu uma alíquota de 20% sobre esse tipo de operação.

A medida gerou forte reação negativa entre consumidores, especialmente nas redes sociais, onde passou a ser apelidada de “taxa das blusinhas”. O impacto direto no preço final dos produtos e o alcance popular das plataformas estrangeiras ampliaram a pressão pública contra a cobrança.

Mesmo diante da repercussão negativa, Hang manteve a defesa da taxação, alinhando seu discurso ao de entidades do varejo que pressionavam por maior equilíbrio competitivo.

Posteriormente, com o aumento da pressão social e política, o empresário passou a condicionar o fim da cobrança à concessão de benefícios equivalentes ao varejo nacional. A posição foi apresentada como uma defesa de “isonomia”, mantendo a lógica de equiparação tributária entre empresas nacionais e estrangeiras.

O histórico evidencia uma atuação ativa do empresário na formulação e defesa de uma medida de aumento de tributação em um setor específico da economia.

A publicação feita em 21 de abril teve ampla repercussão nas redes sociais e recolocou Hang no centro do debate sobre política tributária, concorrência e regulação do comércio eletrônico no Brasil.





ICL Notícias

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