A deputada federal Caroline de Toni (PL-Santa Catarina) e o senador Esperidião Amin (Progressistas-Santa Catarina) estão em guerra fria na disputa por uma vaga ao Senado Federal e recorrem à pauta da anistia para acenar ao eleitor bolsonarista. Enquanto isso, o único nome certo no jogo é o de Carlos Bolsonaro (PL), que parece ter esquecido o caminho do Estado pelo qual tentará se eleger.
Na última quinta-feira, 8 de janeiro, Amin protocolou mais um projeto de lei de anistia aos condenados por tentativa de golpe. Fez isso na mesma data em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o PL da dosimetria aprovado na Câmara e no Senado, relatado por ele. Já De Toni deu uma pausa na licença maternidade para se mover na mesma direção do rival e apresentou um requerimento para o Congresso analisar com urgência o veto de Lula.
Em postagem realizada nesta segunda, 12 de janeiro, a deputada deixou uma indireta sutil para o senador. “Pautei a anistia quando poucos tinham coragem”, disse, ao resgatar sua trajetória como presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
Relator do PL da dosimetria vetado por Lula, Amin tem se manifestado pela liberdade dos presos, mas não apresentou mudanças abruptas no texto aprovado pelo Senado. Na época, ele apenas acatou uma emenda para fazer com que somente criminosos golpistas fossem anistiados, sem benefícios a todo sistema penal. Seu gesto foi lido como parte do acordo para acelerar a aprovação do PL ainda em 2025.
Ao apresentar um novo projeto para retomar a discussão do assunto, Amin amplia sua disputa eleitoral com De Toni, que ameaçou trocar de partido para se candidatar ao Senado caso o governador Jorginho Mello dê preferência a alianças partidárias que o obriguem a escanteá-la. Persistindo na pauta, a deputada e o senador também se alinham a Carlos Bolsonaro e se desconectam dos problemas reais dos cidadãos e das urgências do Estado.
Enquanto divulga o seu projeto, que segundo ele conta com apoio de mais de 50 senadores, Amin vê De Toni intensificar sua investida pelo posto de candidata na chapa pura com Carlos Bolsonaro, o que o expulsaria do palanque bolsonarista. Mesmo em licença maternidade, a parlamentar tem se manifestado reiteradamente como candidata, compartilhando mensagens de apoiadores e reforçando seu compromisso com a mesma pauta do rival.
Cada um recorre a uma estratégia para protagonizar o perdão aos golpistas enquanto o cerco vai se fechando na consolidação das candidaturas. O que a primeira vista pode parecer interesse comum, é, na verdade, mais um passo de uma pré-campanha que causou tumultos em série na direita, inclusive com bate-boca público dos irmãos Bolsonaro com políticos catarinenses em defesa de Carlos, visto por boa parte do PL local como um forasteiro que pode atrapalhar a campanha regionalmente.
Jorginho Mello, por outro lado, mantém o mesmo silêncio de quando as ranhuras na montagem da chapa ao senado começaram. Mesmo já tendo se posicionado em outros momentos contrário a uma chapa pura, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência pode ter conduzido uma guinada no seu projeto. Ao mesmo tempo, os partidos do “centrão”, também comprometidos com a agenda bolsonarista, parecem dispostos a negociar para reforçar o palanque do governador.



