Com fim das bets e novo Desenrola, medidas de Lula chegam a R$ 215,6 bi

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Um conjunto de 22 medidas anunciadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 movimenta até R$ 215,6 bilhões, segundo levantamento da Folha de S.Paulo. A conta inclui desde linhas de crédito e despesas com programas sociais até recursos destinados à renegociação de dívidas e perda de arrecadação provocada pela proibição das bets.

O valor não representa apenas gastos diretos do Orçamento. Parte dos recursos corresponde a linhas de financiamento, garantias públicas e outras operações, enquanto outra parcela considera receitas que o governo deixará de arrecadar. O cálculo foi feito pelo jornal com base em informações oficiais e estimativas para as diferentes medidas.

Em maio, o levantamento calculava cerca de R$ 144 bilhões distribuídos em 11 iniciativas. No fim de junho, o montante havia chegado a R$ 180 bilhões, com 16 ações, e alcançou R$ 193,8 bilhões no início de setembro. Com as medidas mais recentes, a cifra calculada passou de R$ 200 bilhões.

Bets e novo Desenrola entram na conta

Entre as iniciativas adicionadas ao levantamento está a proibição das bets, determinada por medida provisória assinada por Lula na sexta-feira (25).

A nova regra proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o território nacional. A restrição abrange tanto apostas esportivas quanto jogos online.

O fim da atividade também terá impacto sobre a arrecadação federal. Segundo os números considerados no levantamento, a perda seria de R$ 1,5 bilhão em 2026, além de R$ 5,3 bilhões previstos para o próximo ano com tributos sobre as empresas e taxas de fiscalização.

Dados da Receita Federal citados no levantamento mostram que a arrecadação relacionada às bets foi de aproximadamente R$ 10 bilhões em 2025. No primeiro semestre deste ano, chegou a cerca de R$ 7,3 bilhões. Os valores incluem, além da tributação específica sobre as empresas de apostas, contribuições sociais e previdenciárias.

Outra medida recente é o Desenrola Brasil 3.0, criado por medida provisória também assinada na sexta-feira.

O programa autoriza a União a adquirir carteiras de dívidas de pessoas físicas inadimplentes para posteriormente renegociá-las. O governo estima que a iniciativa possa alcançar até R$ 150 bilhões em dívidas.

A União poderá destinar até R$ 15 bilhões para a aquisição das carteiras, respeitada a disponibilidade orçamentária e financeira. O programa terá duração até 30 de junho de 2028.

Crédito também amplia valor

As medidas contabilizadas ao longo do ano incluem diferentes programas de financiamento e estímulo ao crédito.

Uma delas foi um aporte de até R$ 15 bilhões no Fundo de Garantia de Operações (FGO), operado pelo Banco do Brasil, relacionado à segunda edição do Desenrola. O fundo funciona como garantia para operações de crédito, reduzindo o risco assumido pelas instituições financeiras.

Em abril, o governo também anunciou R$ 21,2 bilhões em crédito para financiar a aquisição de caminhões e ônibus, além de uma linha de R$ 10 bilhões destinada à compra de máquinas agrícolas.

Outra iniciativa prevê financiamento para entregadores de aplicativos adquirirem motocicletas. Segundo o levantamento da Folha, essa linha deve movimentar aproximadamente R$ 4 bilhões em novos empréstimos.

Também entrou na conta uma linha de R$ 30 bilhões destinada à renovação de veículos utilizados por taxistas e motoristas de aplicativos.

Como esses valores correspondem, em grande parte, a operações de crédito e mecanismos de garantia, eles não podem ser tratados integralmente como despesas diretas do governo federal.

Bolsa Família foi reajustado em setembro

O levantamento também considera o reajuste do Bolsa Família anunciado neste mês. O governo elevou em 15,04% os valores dos benefícios, primeira atualização pela inflação desde a retomada do atual modelo do programa, em 2023.

A partir de outubro, o valor mínimo pago por família passa de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777.

Segundo a conta apresentada pela Folha, a mudança deve representar aproximadamente R$ 22 bilhões adicionais entre 2026 e 2027.

O governo afirma que as medidas adotadas ao longo do ano estão previstas dentro de sua estratégia econômica e nega que tenham sido criadas com finalidade eleitoral.

Integrantes da equipe econômica também sustentam que as iniciativas respeitam os limites orçamentários e as metas fiscais estabelecidas pelo governo.

A cifra de R$ 215,6 bilhões, portanto, não corresponde a uma única despesa prevista no Orçamento. Ela resulta da soma de medidas com naturezas diferentes, incluindo gastos públicos, crédito, garantias, renegociação de dívidas e estimativas de perda de arrecadação.





ICL Notícias

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