Por Cleber Lourenço
A primeira semana oficial da campanha eleitoral de 2026 terminou com 3.241 denúncias de possíveis irregularidades na propaganda eleitoral em todo o país. Levantamento do ICL Notícias a partir da base nacional do Pardal, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que duas em cada três ocorrências envolvem candidaturas a deputado federal ou estadual.
Os dados, atualizados até as 16h de domingo (23), também mostram uma campanha que, ao menos nas denúncias recebidas pela Justiça Eleitoral, ainda produz mais problemas nas ruas do que no ambiente digital. Ocorrências classificadas como propaganda em vias públicas somam 1.103 casos, quase o dobro das 565 relacionadas à internet.
As capitais também concentram uma parcela expressiva dos registros. São 1.493 denúncias nas 27 capitais, equivalentes a 46,1% de todas as ocorrências registradas no país durante a primeira semana.
Retrato da primeira semana
Os dados do Pardal permitem traçar um panorama de onde estão e quais são as principais denúncias recebidas desde a abertura da campanha:
- 3.241 denúncias foram registradas até domingo;
- 2.163 envolvem candidatos a deputado federal ou estadual, 66,7% do total;
- 1.493 ocorreram nas capitais, o equivalente a 46,1%;
- 1.103 denúncias são relacionadas a vias públicas, 34% de todas as ocorrências;
- 565 envolvem propaganda na internet, 17,4%;
- São Paulo lidera entre os estados, com 565 registros;
- Salvador é a cidade com maior número de denúncias, com 220;
- 597 denúncias já foram peticionadas no Processo Judicial Eletrônico (PJe).
Candidatos a deputado concentram denúncias
As campanhas para as Assembleias Legislativas aparecem no topo da lista. Candidatos a deputado estadual são alvo de 1.152 denúncias, o equivalente a 35,5% do total nacional.
Na sequência aparecem candidatos a deputado federal, com 1.011 registros, ou 31,2%.
Há ainda 429 denúncias direcionadas a partidos, coligações ou federações, 375 envolvendo candidatos a governador, 113 a senador e 104 a deputado distrital.
A disputa pela Presidência, apesar de concentrar a maior exposição nacional, aparece bem abaixo: foram 54 denúncias relacionadas a candidatos ao Palácio do Planalto na base analisada.
Somadas, portanto, as candidaturas a deputado estadual e federal respondem por praticamente dois de cada três registros feitos no Pardal durante a primeira semana.
Ruas superam internet
Outro dado chama atenção justamente numa eleição marcada pelo debate sobre inteligência artificial, redes sociais e desinformação digital.
A categoria com maior número de denúncias não é a internet. São as vias públicas, com 1.103 registros.
Propaganda na internet aparece em segundo lugar, com 565. Depois vêm denúncias relacionadas a bens públicos, com 321 casos; carros de som, minitrios ou trios elétricos, com 318; bens particulares, com 174; e outdoors, com 163.
Também foram registradas 121 denúncias relacionadas à distribuição de material gráfico, 97 sobre adesivos em automóveis e 90 envolvendo confecção, utilização ou distribuição de brindes.
O quadro mostra que, embora as ferramentas digitais tenham ganhado peso crescente nas campanhas, boa parte dos problemas levados pelos eleitores à Justiça Eleitoral na largada da disputa continua relacionada às formas tradicionais de propaganda.
Quase metade das denúncias vem das capitais
A concentração geográfica também é expressiva. As 27 capitais acumulam 1.493 das 3.241 denúncias registradas, ou 46,1% do total nacional.
E o topo do ranking municipal é praticamente dominado por elas.
Salvador lidera com 220 denúncias, seguida por Brasília, com 170; Fortaleza, 134; São Paulo, 123; Porto Alegre, 118; Recife, 102; Curitiba, 97; Rio de Janeiro, 73; e Belo Horizonte, 71.
Das dez cidades com mais ocorrências no país, nove são capitais.
A exceção é Iturama, em Minas Gerais, que aparece na décima posição com 49 denúncias. O caso chama atenção também pelo tipo de ocorrência: 45 dos 49 registros do município estão relacionados a bens públicos.
No levantamento por estados, São Paulo aparece isolado na liderança, com 565 denúncias. Bahia vem em seguida, com 299, seguida por Rio Grande do Sul, com 268; Paraná e Pernambuco, ambos com 259; Minas Gerais, com 258; Ceará, 207; e Rio de Janeiro, 183.
Quase 600 denúncias
O registro no Pardal é o início do caminho da denúncia, e não significa que a Justiça Eleitoral tenha constatado uma irregularidade.
Das 3.241 ocorrências analisadas, 597, ou 18,4%, aparecem como peticionadas no PJe, sistema no qual tramitam os processos judiciais eleitorais.
Outras 1.242 permaneciam em andamento, enquanto 1.402 constavam como baixadas do sistema.
O Pardal permite que cidadãos comuniquem à Justiça Eleitoral possíveis irregularidades relacionadas à propaganda. Depois do recebimento, os relatos são encaminhados aos órgãos competentes para análise e eventual adoção das medidas cabíveis.



