Campanha de Lula divide territórios e mobiliza deputados em SP e MG

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Por Cleber Lourenço

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está reorganizando a atuação de deputados federais e estaduais em São Paulo e Minas Gerais, dois estados considerados prioritários para reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno. A estratégia inclui a divisão de responsabilidades territoriais entre parlamentares, mobilização de prefeitos, vereadores e movimentos sociais, além de ações para recuperar votos de 2022, combater a abstenção e ampliar a presença nas ruas e nas redes sociais.

Ao ICL Notícias, os deputados federais Kiko Celeguim (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) detalharam como a reorganização está sendo colocada em prática nos dois estados. Em São Paulo, as bancadas federal e estadual já se reuniram para organizar a mobilização na capital, na Grande São Paulo e no interior. Em Minas, parlamentares estão assumindo a responsabilidade por regiões específicas, com a missão de articular lideranças locais e garantir a estrutura necessária para a campanha.

A ofensiva faz parte da estratégia nacional de Lula para o segundo turno, que busca diminuir a diferença em estados onde Flávio obteve vantagem e recuperar eleitores que apoiaram o petista na eleição presidencial de 2022.

Em São Paulo, campanha mira votos de 2022 e mobilização nas ruas

Reeleito deputado federal, Kiko Celeguim afirmou que a campanha realizou uma reunião com integrantes das bancadas estadual e federal, incluindo parlamentares eleitos, não eleitos e deputados em exercício, para organizar as atividades do segundo turno.

A orientação é intensificar a presença da militância nos municípios, com ações de panfletagem, adesivaços de veículos, carros de som e pontos de conversa com eleitores.

“A gente está se mobilizando nas regiões, interior de São Paulo e capital, e orientando a militância a marcar atos de adesivaço de carro, panfletagem, aquelas banquinhas de vira-voto, de conversar com as pessoas”, explicou.

Segundo Celeguim, a campanha trabalha com objetivos diferentes conforme a região. Na capital, uma das preocupações é reduzir a abstenção. Já na Grande São Paulo e no interior, o esforço será recuperar parte do eleitorado que votou em Lula em 2022, mas não repetiu o voto no primeiro turno deste ano.

A intenção é diminuir a distância em relação a Flávio Bolsonaro e melhorar o desempenho do presidente no estado, maior colégio eleitoral do país.

Outro movimento observado pela campanha é a transformação de mobilizações iniciadas nas redes sociais em manifestações presenciais.

Celeguim relatou que pelo menos quatro grupos independentes estão convocando atos na Avenida Paulista, sem ligação orgânica entre si ou com a estrutura partidária. A campanha tem apoiado essas iniciativas e participado das manifestações, embora não seja responsável pela organização.

“O exercício é positivo, porque é um ato de rede que está se transformando em mobilização de rua”, afirmou.

O deputado também destacou a participação de influenciadores digitais e a realização de manifestações semelhantes em outras capitais. Para ele, essas iniciativas complementam a mobilização organizada pelos partidos e ajudam a ampliar a presença dos apoiadores de Lula fora do ambiente virtual.

Em Minas, deputados assumem regiões e articulam prefeitos e vereadores

Em Minas Gerais, a estratégia também passa pela distribuição de responsabilidades entre parlamentares, que ficarão encarregados de organizar a campanha em determinadas regiões.

Rogério Correia afirmou que assumirá a coordenação da mobilização em Belo Horizonte e ajudará em outras cidades da região metropolitana.

“Estamos dividindo tarefas. Cada deputado, cada parlamentar, fica responsável por organizar uma determinada região, entrar em contato com os movimentos sociais, vereadores e prefeitos, para que a gente possa chegar a mais pessoas e não faltar material”, explicou.

A divisão pretende garantir que as orientações políticas da campanha cheguem aos municípios e que as lideranças locais tenham condições de organizar atividades presenciais, distribuir materiais e mobilizar eleitores.

Além da estrutura territorial, Correia afirmou que a campanha pretende intensificar o debate sobre as propostas de Flávio Bolsonaro, especialmente nas áreas econômica, social e administrativa.

Uma das prioridades será explorar o ajuste fiscal defendido pela candidatura adversária, que prevê cortes expressivos nas despesas públicas.

“O povo precisa saber o que de fato é a proposta do adversário. Por exemplo, corte de R$ 200 bilhões. Onde vai cortar R$ 200 bilhões? Pé-de-Meia, Bolsa Família, salário mínimo. Vai cortar dos pobres”, afirmou.

A declaração representa a avaliação política do deputado sobre os possíveis efeitos do ajuste. Não há, nessa fala, demonstração de que cortes específicos nesses três programas tenham sido formalmente anunciados pela campanha de Flávio.

Correia também pretende abordar a reforma administrativa e as mudanças nas regras do funcionalismo público, comparando propostas defendidas por aliados do adversário com as políticas do atual governo.

Segundo o parlamentar, a orientação é utilizar o programa de governo de Flávio, projetos de lei e propostas concretas para apresentar as diferenças entre as candidaturas em temas como saúde, educação, direitos trabalhistas e meio ambiente.

Campanha reconhece dificuldades nas redes e aposta na mobilização presencial

A reorganização territorial ocorre em paralelo ao reforço da comunicação digital da campanha de Lula. Em Minas Gerais, Rogério Correia reconheceu que existe uma avaliação interna de dificuldades na disputa com o bolsonarismo nas plataformas.

“Tem avaliação de que nas redes nós somos derrotados, do ponto de vista de inserções, de disputa na rede social. Então é muito fundamental nos comunicar mais pelas redes sociais”, afirmou.

Nos últimos dias, apoiadores de Lula também passaram a utilizar novas plataformas para distribuir materiais de campanha, compartilhar vídeos e organizar a atuação de militantes no ambiente digital.

As declarações dos dois deputados mostram que a estratégia para São Paulo e Minas Gerais combina duas frentes: uma mobilização organizada por parlamentares e lideranças municipais e outra impulsionada por movimentos sociais, influenciadores e grupos que convocam manifestações pelas redes.

Em São Paulo, a prioridade descrita por Celeguim é recuperar o desempenho eleitoral de 2022 e reduzir a abstenção. Em Minas, Correia destaca a divisão regional de tarefas e o confronto entre os programas de governo.

Nos dois estados, o objetivo político é o mesmo: reduzir a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno e ampliar a votação de Lula na disputa decisiva pela Presidência.





ICL Notícias

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