O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o Brasil pretende intensificar a busca pela autossuficiência em combustíveis estratégicos, com foco no diesel e no gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha. Durante participação na quarta-feira (8) na LatAm Energy Week, no Rio de Janeiro, ele destacou o potencial do país para reduzir a dependência externa. “O Brasil é um dos poucos países no mundo que pode, com uma pequena mudança de estratégia, se tornar completamente independente”, afirmou.
Atualmente, cerca de 15% do consumo de GLP no país ainda depende de importações. No caso do diesel, esse percentual chega a aproximadamente 27%, o que mantém o Brasil exposto às oscilações do mercado internacional.
Segundo o ministro, essa dependência obriga o país a seguir a paridade de preços externos, com impacto direto ao consumidor.
“Não faz sentido o Brasil ser exportador de petróleo e importador de diesel. Precisamos ser autossuficientes, para não ficarmos dependentes de conflitos externos”, completou.
Na avaliação de Silveira, o cenário internacional tende a acelerar a busca por segurança energética. “Após esta guerra, o mundo deve mudar sua estratégia, priorizando a autossuficiência”, concluiu.
Subsídios ampliados ao diesel
Para mitigar esses efeitos, o governo anunciou a ampliação dos subsídios ao diesel. A subvenção foi elevada de R$ 0,32 para R$ 1,12 por litro até o fim de maio, com adicionais para produtores e importadores, podendo chegar a R$ 1,52 por litro.
A medida tem caráter temporário e busca garantir o abastecimento e conter pressões inflacionárias no curto prazo.
No caso do GLP, o governo instituiu uma subvenção de R$ 850 por tonelada importada, com dotação de R$ 330 milhões. A iniciativa visa reduzir o impacto da alta internacional sobre o preço do botijão.
Segundo o ministro, o objetivo é preservar o acesso das famílias ao insumo essencial. “Estamos atuando de forma coordenada para proteger o consumidor e garantir o abastecimento”, afirmou.
Críticas à Petrobras e decisões recentes
Silveira também fez críticas a decisões dentro da Petrobras, especialmente à realização de um leilão de GLP em momento considerado sensível para o abastecimento, que resultou na demissão de um diretor da estatal.
Ele destacou o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do episódio. “A companhia captou essa indignação do presidente da República e fez o correto, que é, em um momento como esse, defender preços mais baixos para itens essenciais como GLP, gasolina e diesel”, disse.
Refino e revisão de ativos
O fortalecimento do parque de refino também está no centro da estratégia. O ministro criticou políticas anteriores de desinvestimento e citou a venda da refinaria de Mataripe como exemplo.
Segundo ele, o governo avalia tanto a construção de novas unidades quanto a recompra de ativos. “Esse é um caminho possível e está sendo estudado, assim como outras alternativas”, afirmou.
A agenda inclui ainda o avanço dos biocombustíveis, com destaque para o aumento da mistura de etanol na gasolina para 32% e o desenvolvimento do combustível sustentável de aviação (SAF).
Silveira ressaltou o papel do etanol na transição energética brasileira. “Para nós, o etanol é o maior exemplo de sustentabilidade do mundo”, declarou.
Fiscalização e controle do mercado
O pacote também prevê o endurecimento da fiscalização no setor de combustíveis. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) terá mais poder para punir irregularidades, incluindo a interdição de estabelecimentos.
“Não vamos admitir qualquer tipo de distorção ou aproveitamento indevido neste momento de crise”, afirmou o ministro.



