Aula pública na Rodoviária do Plano Piloto reúne militantes pela Tarifa Zero em Brasília — Brasil de Fato

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Na tarde desta terça-feira (7), a Rodoviária do Plano Piloto, centro da mobilidade no Distrito Federal, foi ocupada por uma aula pública organizada por militantes de diversas regiões do país. A atividade faz parte da Caravana Nacional pela Tarifa Zero, que ocorre entre os dias 6 e 10 de outubro em Brasília, reunindo movimentos sociais, trabalhadores do transporte e coletivos de usuários que defendem um novo modelo para o sistema de transporte público no Brasil.

O evento teve como objetivo debater a proposta de transporte público gratuito, financiado com recursos públicos através da taxação dos bilionários, e denunciar o que os organizadores chamam de “colapso do atual modelo tarifário”. Os participantes destacaram que a Rodoviária, por onde circulam diariamente milhares de trabalhadores e estudantes, representa simbolicamente a realidade enfrentada por quem depende do transporte coletivo.

De acordo com Milena Nascimento, do Movimento Passe Livre em São Paulo (MPL-SP), o sistema atual está falido e a Tarifa Zero se apresenta como uma alternativa viável. “O lema da caravana é ‘do impossível ao inevitável’. A Tarifa Zero já é uma realidade em mais de 120 cidades brasileiras. O que antes era considerado coisa de louco, hoje é uma proposta concreta diante de um sistema que não atende mais às necessidades da população”, afirmou, destacando que o aumento das tarifas afasta usuários e aprofunda o ciclo de precarização.

Atualmente, mais de 130 municípios no país já adotaram modelos de tarifa zero, segundo os movimentos presentes na caravana. No Rio de Janeiro, por exemplo, 20 cidades implementaram a gratuidade no transporte, sendo 16 de forma integral e 4 de forma parcial. A caravana tem buscado apresentar essas experiências como provas de que o modelo é viável, desde que haja vontade política e financiamento adequado.

O evento contou com a distribuição de materiais informativos. Durante a atividade, os militantes também apontaram os impactos sociais da cobrança de tarifa. “A tarifa é o segundo maior gasto das famílias brasileiras. Quando você tira esse custo, está enfrentando a pobreza de forma direta, está garantindo o direito de existir e circular pela cidade que as pessoas ajudam a construir todos os dias”, explicou Milena do MPL-SP.

Militantes de vários estados participaram da aula pública em defesa da Tarifa Zero.

Outro ponto abordado durante a aula foi a dificuldade de acesso a serviços essenciais devido ao custo do transporte. Gustavo Serafim, do Movimento Passe Livre DF e Entorno, comentou que “muitas pessoas deixam de ir a consultas médicas ou à escola porque não têm dinheiro para a passagem. No Entorno do DF, por exemplo, é comum gastar mais de R$ 20 por dia só para se deslocar. Isso impede o direito básico de viver a cidade”.

A precariedade dos serviços também foi destacada pelos participantes. Superlotação, ônibus quebrados, atrasos e insegurança são problemas relatados por quem utiliza o transporte coletivo no dia a dia. “Quem anda de ônibus sabe o perrengue que é. A gente está aqui para dizer que quem pega busão precisa ser ouvido na hora de decidir sobre o transporte. Tarifa Zero é transporte pago pelos ricos e controlado pelo povo”, afirmou Serafim.

Mobilização nacional

A caravana reúne representantes de estados como São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, Tocantins, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o próprio Distrito Federal. Os militantes também planejam reuniões com parlamentares e representantes do governo federal, além de participar de uma audiência pública no Congresso Nacional, marcada para quinta-feira (9).

Para André Veloso, do movimento Tarifa Zero de Belo Horizonte, a articulação entre os estados é estratégica para disputar os rumos da política pública de mobilidade. “Se a Tarifa Zero vai se tornar uma política nacional, é preciso que ela seja construída com a população que usa o transporte todo dia. A gente está aqui para fortalecer os movimentos e garantir que a proposta não seja apenas de campanha, mas uma política de verdade, pensada com quem vive a realidade da rua”, afirmou.

Segundo os organizadores, o modelo defendido pelos movimentos prevê que o transporte seja gerido por empresas públicas ou coletivas, com participação social na definição de linhas, horários e prioridades de investimento.

A proposta também inclui o financiamento por meio da taxação de grandes fortunas e do orçamento público. “O que a gente quer é um sistema operado com qualidade, com condições dignas de trabalho e controle popular. Não é só sobre gratuidade, é sobre garantir o direito de ir e vir com dignidade”, reforçou Veloso.

As atividades da caravana continuam até sexta-feira (10), com plenárias, encontros e articulações com diferentes setores do poder público. Os movimentos afirmam que o momento é decisivo para consolidar a pauta da Tarifa Zero como prioridade na agenda pública. 

A expectativa é que os debates realizados ao longo da semana contribuam para a formulação de políticas de mobilidade consideradas mais justas, sustentáveis e acessíveis à população brasileira.



Fonte:Brasil de Fato

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