Ações da Casas Bahia desabam 33% após pedido de recuperação judicial

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Por Matheus dos Santos

(Folhapress) – As ações da Casas Bahia encerraram o dia em queda de 33%, a R$ 0,45, nesta segunda-feira (17) na Bolsa, em reação ao pedido de recuperação judicial apresentado pela companhia na noite de domingo (16).

Na mínima do pregão, os papéis da varejista chegaram a recuar 36%, a R$ 0,42. A queda ocorreu em um dia de relativa estabilidade no mercado: o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em baixa de 0,09%.

Outras ações do setor não recuaram na mesma intensidade, com Lojas Renner caindo mais de 1% e Magalu avançando 8%. O movimento difere do observado após a divulgação dos resultados do segundo trimestre do Magazine Luiza, quando as ações do setor recuaram em bloco após a companhia registrar prejuízo no período.

Heitor de Nicola, especialista em renda variável da AVIN, não vê o pedido de recuperação judicial como um risco de contaminação para as demais empresas do varejo.

“O caso é bastante específico e reflete uma combinação de elevado endividamento, estrutura de capital pressionada e dificuldades financeiras que a companhia já vinha enfrentando”, afirma.

Para Heitor, pode haver preocupação de investidores com empresas de varejo que apresentam características semelhantes, principalmente aquelas com maior alavancagem, geração de caixa mais fraca ou dependência de crédito.

Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, também vê um cenário complicado para o investidor. “A tendência é [a ação] cair até que tudo se estabilize, e esse processo deve demorar até que se tenha clareza da recuperação.”

Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, afirma que o processo de recuperação da Casas Bahia não começou agora. “É sempre importante entender que não só Casas Bahia, mas o setor inteiro, sofreu. Cresceu muito ali na pandemia, e essas companhias se alavancaram também. Mas a gente tinha uma outra realidade: outro patamar de juros, outro ritmo de crescimento, outro nível de concorrência.”

Para Saravalle, a saída para a companhia passa pela redução de seu tamanho e pela renegociação com credores. “A grande, infelizmente, saída dessas companhias é reduzir o tamanho. Reduzir a operação, mas, lógico, também reduz o nível de receita potencial. E agora sentar junto com credores para fazer as renegociações.”

Ele também vê a possibilidade de conversão de parte das dívidas em participação acionária. “Vislumbro no futuro breve uma operação bem menor e parte desses credores, não a totalidade, mas pelo menos uma parte grande, tornando-se acionista.”

Para a XP, a companhia teve um segundo trimestre desafiador e avançou em seu plano de reestruturação em um cenário macroeconômico mais deteriorado.

“Vemos o risco de execução [do plano] aumentando em duas frentes: os fornecedores podem restringir ainda mais as condições diante das notícias sobre a reorganização, pressionando a disponibilidade antes do 4T [quarto trimestre], enquanto os sindicatos estariam preparando uma ação coletiva”, afirma a instituição em nota assinada por Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer.

A instituição colocou a ação da companhia em revisão até ter maior visibilidade sobre os resultados e as alternativas para a estrutura de capital.

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo no fim da noite deste domingo (16) e declarou dívidas de R$ 17,3 bilhões.

O pedido engloba dez empresas da holding, entre elas as donas das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o ecommerce Extra.com e a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias de logística e tecnologia.

O grupo também informou no pedido a demissão de cerca de 3.000 funcionários, de um total de mais de 30 mil colaboradores, e o fechamento de quase 300 lojas.

Para Júlio Moretti, CEO da Neot, companhia de tecnologia especializada em gestão de processos de insolvência e recuperação judicial, o prejuízo da Casas Bahia é resultado principalmente de baixas contábeis.

“Créditos tributários, contratos que deixaram de ter o desempenho que se projetava e o encerramento de pontos de venda. São perdas oriundas do reconhecimento de que não haverá lucro no curto prazo, o que limita bastante a recuperação de tributos”, afirma.

Moretti também destaca as demissões anunciadas pela empresa. “A companhia fechou [lojas] e desligou funcionários. Isso cria passivo trabalhista, de aluguel e de fornecedor que nenhum acordo com bancos e debenturistas cobre. A recuperação judicial é o único instrumento que suspende tudo de uma vez”, afirma.





ICL Notícias

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