Abertura comercial de Milei paralisa fábricas e extingue 90 mil vagas na Argentina

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O desmantelamento das barreiras protecionistas e a abertura comercial promovida pelo presidente Javier Milei provocaram uma onda de demissões e o fechamento em massa de empresas no setor manufatureiro da Argentina. Levantamentos da União Industrial Argentina indicam que o setor perdeu cerca de 90 mil postos de trabalho formais e registrou o encerramento das atividades de quase 30 mil empresas nos últimos três anos, puxado principalmente por pequenas e médias fábricas incapazes de concorrer com produtos estrangeiros baratos.

A queda da inflação, celebrada pela equipe econômica do governo, acabou dando lugar ao desemprego como a principal apreensão da população argentina. A produção manufatureira encolheu 5% em apenas um mês, registrando o seu pior desempenho em 16 meses, enquanto a capacidade ociosa do parque industrial do país alcançou a marca de 40%. A perda de poder de compra e o endividamento das famílias paralisaram o mercado interno, forçando indústrias tradicionais a reduzir jornadas de trabalho ou encerrar operações históricas após décadas de atuação.

Para os empresários do setor fabril, a competição com os produtos importados ocorre de forma desigual. Eles apontam que o peso argentino artificialmente valorizado prejudica a competitividade das mercadorias locais, que também sofrem com o peso de juros elevados e altas cargas tributárias. O esvaziamento das fábricas tem empurrado operadores e técnicos demitidos para o trabalho informal em aplicativos de transporte e entrega para garantir a subsistência básica.

O presidente argentino Javier Milei defende a abertura comercial e a redução das barreiras à importação como parte de seu programa econômico

Aposta na “destruição criativa” e defesa do governo

Apesar do forte impacto social e do fechamento de parques fabris, a Casa Rosada minimiza o colapso industrial e classifica as perdas como um estágio temporário de transição econômica. O presidente Javier Milei recorre ao conceito econômico da “destruição criativa” para argumentar que o encerramento de negócios ineficientes é um processo natural e necessário para a emergência de uma economia moderna e competitiva.

O ministro da Economia, Luis Caputo, ratificou a linha do governo ao defender que a prioridade da gestão é proteger o consumidor final, impedindo que a população pague valores elevados por produtos nacionais de menor qualidade. Segundo a visão da equipe econômica, a exposição do mercado local à concorrência global garantirá preços mais baixos e forçará uma reorganização eficiente do setor privado no país.





ICL Notícias

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