Trump oficializa ingerência na eleição brasileira com tarifaço

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A manobra adotada por Donald Trump para iniciar uma ingerência na eleição brasileira foi a de impor um prejuízo ao setor privado nacional e tentar mostrar que, com Lula no poder, esses empresários perderão dinheiro e espaço no maior mercado do mundo, os EUA.

Nesta semana, ao iniciar a aplicação de tarifas de 25% contra o Brasil, a Casa Branca agiu em duas frentes. Numa delas, sintonizou as barreiras para criar dano a setores específicos do Brasil no valor de US$ 11 bilhões e, imediatamente, acusar deliberadamente o governo Lula de ser o responsável pelas perdas.

Foi por isso que, minutos depois do anúncio oficial, Marco Rubio foi às redes sociais para denunciar o “ego” de Lula e sinalizar que não há como negociar com o atual governo. Em outras palavras, o chefe da diplomacia americana rasgou a diplomacia e anunciou: queremos um novo governo no Brasil, mais dócil aos interesses de Trump.

Imediatamente e como se estivessem praticamente combinados, Flávio Bolsonaro e seus cúmplices foram às redes sociais para disseminar as palavras do que mais parece ser o diretor internacional da campanha bolsonarista.

O que Rubio não explicou é que, de fato, não era uma questão de ego. Mas de soberania. Para não taxar, os EUA exigiam uma interferência no STF, a abertura do Pix e até o fim da autonomia do Brasil para fechar acordos com parceiros pelo mundo.

De fato, a própria tarifa foi uma construção. Nas investigações realizadas pelos americanos, os argumentos usados iam muito além de barreiras evidentes aos interesses dos EUA.

Um dos aspectos usados para justificar as tarifas foram as decisões tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal contra plataformas digitais e a remoção de conteúdo político.

Outro ponto destacado foi o impacto do Pix na receita dos cartões de crédito dos EUA. A Casa Branca diz que não quer o fim do sistema de pagamentos do Brasil. Mas insiste em garantir que seus serviços tenham o mesmo tratamento que sistema estatal. O governo brasileiro já avisou que não há qualquer chance de rever o PIx.

A queixa americana se refere ainda ao tratamento preferencial dado pelo Brasil para produtos do México e Índia. O governo norte-americano quer que suas empresas tenham as mesmas tarifas que os parceiros de países em desenvolvimento. Segundo a Casa Branca, desde que os acordos entraram em vigor, produtos desses dois países passaram a ter maiores benefícios que os americanos.

O desmatamento que beneficia a agricultura nacional, a luta ineficiente contra a corrupção e violações de propriedade intelectual também pesaram na decisão final.

Todos esses argumentos envolvem um só tema: soberania. A sinalização do governo americano é de que toda essa autonomia de Lula está sendo um obstáculo para a estratégia de Trump na região.

A esperança é de que, com o pacote de maldade, um caminho seja aberto para que Flávio possa ser eleito.

Se isso ocorrer, o governo Trump sabe que não precisará negociar. As tarifas serão reduzidas no dia em que Flávio flexibilizar o Pix e impedir a ação contra plataformas digitais.

Flávio terá de pagar pelo apoio. Nada é grátis nos EUA. E a conta será a própria abertura do mercado brasileiro aos interesses americanos e até mesmo um acordo comercial com Washington para permitir que os EUA tenham as mesmas vantagens de México e Índia no mercado nacional.

Enquanto setores corriam para tentar entender a dimensão das tarifas, chamou a atenção da diplomacia brasileira uma confissão do negociador comercial dos EUA, Jamieson Greer, momentos antes do anúncio das tarifas. Numa palestra nos EUA na quarta-feira, ele admitiu que o Brasil sofreu um tratamento diferenciado em relação ao restante da América Latina.

O representante de Comércio da Casa Branca explicou que a lógica das tarifas impostas ao mundo era a de interromper o que Washington considera como um tratamento injusto aos produtos americanos e frear o avanço chinês pelo mundo.

Segundo ele, o comércio passou a ser visto como uma questão de segurança nacional, por parte de Donald Trump.

Uma das estratégias, portanto, era a de criar uma cadeia de fornecimento regional ao mercado americano, como parte da ofensiva dos EUA sobre a América Latina. Foi por esse motivo que, em abril de 2025, as tarifas aplicadas sobre as economias da região foram de cerca de 10%, enquanto as taxas para o resto do mundo eram mais elevadas.

Segundo ele, quanto mais longe do Hemisfério Ocidental, maior eram as tarifas.

“Se você está no Hemisfério Ocidental, você tinha o melhor negócio do planeta, pois queremos nossa cadeia de fornecimento aqui”, explicou.

“Quando mais chega perto da Asia e da China, onde existem muitas incertezas geopolíticas, maior eram as tarifas. Praticamente dava para ver o Hemisfério Ocidental com apenas 10% de tarifas ou menor”, disse.

Em sua fala, porém, Greer deixou escapar um comentário revelador. Ao citar o Hemisfério Ocidental e a boa posição que os países da região teriam com os EUA em termos de tarifas, ele interrompeu sua própria fala e disse: “bom, o Brasil é um caso a ser determinado”.

 





ICL Notícias

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