O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira durante a cúpula da OTAN que o memorando de entendimento entre os americanos e iranianos está “encerrado”. Sua fala ocorre depois de uma noite de ataques mútuos entre os dois lados. As autoridades dos EUA indicaram que dispararam contra pelo menos 80 alvos no Irã e que suspenderam os acordos para permitir que os iranianos voltem a exportar petróleo, enquanto Teerã respondeu em ataques contra locais estratégicos dos EUA no Bahrein e Kuwait.
Duas bases militares na província de Bushehr, no sul do Irã, foram atingidas, disse um vice-governador de segurança da província, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Fars. Uma base foi atingida no condado de Dashti e outra perto da cidade de Choghadak, ambas na província de Bushehr, na madrugada de quarta-feira.
“Não quero mais lidar com eles; eles são escória”, disse Trump. “São pessoas doentes; são pessoas cruéis e violentas”, insistiu. Há poucos dias, ele havia classificado a cúpula iraniana como “razoável” e apostou numa relação positiva.
“Para mim, é pura perda de tempo lidar com eles. São mentirosos… Há algo de errado com eles. São loucos. Para mim, acabou”, insistiu o americano.
: “I might let my wonderful negotiators keep talking.” So, is this just tough talk from Trump, trying to put a line down and say, “this is unacceptable and I’ve shown you my response”? Or does this mean he is really tearing up the Memorandum of Understanding that was agreed on about three weeks ago?
O governo norte-americano insiste que foram os iranianos quem romperam o acordo, ao atacar navios no estreito de Ormuz.
Mas o Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou “veementemente os “ataques agressivos e a violação grosseira do Memorando de Entendimento” por parte dos EUA.
O ministério afirmou que, nas primeiras horas de quarta-feira, “as forças militares terroristas dos EUA, em clara violação do Artigo 2, Parágrafo 4 da Carta das Nações Unidas, cometeram agressão militar contra vários centros de monitoramento e vigilância na costa sul do Irã”.
Segundo eles, esses ataques “constituem uma violação flagrante do Parágrafo 1 do Memorando de Entendimento sobre o Fim da Guerra, que determina a cessação das operações militares”.
A declaração também destacou “a obrigação legal internacional de todos os governos, particularmente dos países vizinhos situados na costa sul do Golfo Pérsico, de impedir que partes agressoras utilizem seus territórios e instalações para realizar atos de agressão contra a República Islâmica do Irã”. Acrescentou que “qualquer cooperação na prática do crime de agressão contra o Irã constitui cumplicidade e participação no crime”.
Ao lembrar ao Conselho de Segurança da ONU e ao Secretário-Geral suas responsabilidades, o ministério enfatizou que as forças armadas do Irã “não hesitarão em defender a integridade territorial, a soberania nacional e a segurança nacional do Irã contra a agressão militar dos EUA, em conformidade com o Artigo 51 da Carta da ONU, e atacarão a fonte e a origem da agressão”, segundo o comunicado.
A resposta do Irã veio quase de forma imediata, o que levou os governos da região a condenar as ações.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar classificou o ato iraniano como uma violação “flagrante da soberania de ambos os países e uma infração evidente do direito internacional”. Em uma publicação no X, o ministério ressaltou a necessidade de poupar a região das consequências do que descreveu como ataques injustificados, de prosseguir no caminho do diálogo e da diplomacia e de reduzir as tensões.



