Sem acordo com Alcolumbre, governo mira agosto para PECs da 6×1 e segurança

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Por Cleber Lourenço

Sem uma reunião formal entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o governo passou a trabalhar com agosto como possível janela para avançar em duas de suas prioridades no Congresso: a PEC que acaba com a escala 6×1 e a proposta de mudança na segurança pública.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), admitiu em conversa com jornalistas que não há tempo hábil para concluir a votação da proposta que reduz a jornada de trabalho antes do recesso parlamentar. Segundo ele, o esforço agora é garantir algum tipo de encaminhamento ainda nesta semana. “Nós vamos procurar o presidente Davi para tentar ao menos um despacho, um sinal de que a matéria vai andar. Não há tempo para votar agora, mas precisamos deixar o caminho preparado”, afirmou.

A estratégia do governo é evitar que a proposta perca força política e fique paralisada até depois das eleições. Randolfe destacou que a PEC da escala 6×1 é uma das principais bandeiras sociais da atual gestão. “Essa é uma pauta que dialoga diretamente com milhões de trabalhadores brasileiros. Não podemos deixar que ela fique esquecida na gaveta”, disse.

Apesar da pressão, o senador reconheceu que a decisão final depende de Alcolumbre. “Quem pauta é o presidente da Casa. O que estamos fazendo é construir as condições políticas para que isso aconteça em agosto”, acrescentou.

A situação é semelhante à da PEC da Segurança Pública, outra prioridade do governo federal. Randolfe afirmou que a proposta também deve ficar para o segundo semestre, mas reforçou a intenção de avançar logo após o recesso. “A segurança pública é uma demanda urgente da sociedade. Queremos que essa PEC avance já em agosto, mesmo com o calendário eleitoral”, declarou.

Nos bastidores, a avaliação de aliados do governo é que o período eleitoral pode dificultar votações de maior impacto, especialmente aquelas que envolvem temas sensíveis e com forte repercussão junto ao eleitorado. Ainda assim, Randolfe demonstrou confiança. “Sabemos das dificuldades do calendário, mas também sabemos da importância dessas matérias. Vamos trabalhar para que elas não sejam adiadas indefinidamente”, disse.

O líder governista também negou que tenha ocorrido a reunião entre Lula e Alcolumbre que vinha sendo especulada em Brasília. Segundo ele, o encontro ainda não aconteceu, mas isso não impede o andamento das negociações. “Não houve reunião até agora, mas o diálogo está aberto. O governo segue conversando com o Senado para viabilizar essas pautas”, afirmou.

O impasse em torno da escala 6×1 se arrasta há semanas e tem mobilizado diferentes setores da sociedade. A proposta prevê mudanças na jornada de trabalho, reduzindo o modelo atual em que trabalhadores atuam seis dias consecutivos para apenas um de descanso. Para o governo, a medida representa um avanço nas condições de trabalho e qualidade de vida.

Por outro lado, o tema enfrenta resistência de parte do setor empresarial, que teme impactos nos custos e na produtividade e que viu em Alcolumbre um aliado convicto da causa. Esse cenário torna a tramitação ainda mais delicada no Congresso, especialmente em um momento de disputa eleitoral.

Ao projetar agosto como nova meta, o governo tenta manter a pauta viva e evitar que ela seja empurrada para depois das eleições. “Nosso objetivo é garantir que essas propostas avancem ainda neste ano. Agosto é uma janela possível, e vamos trabalhar para aproveitá-la”, concluiu Randolfe.





ICL Notícias

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